sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Reflexão Salesiana para o Segundo Domingo da Quaresma - 24 de fevereiro de 2013


Destaque: "O Senhor é a minha luz e a minha salvação".

Perspectiva Salesiana

O livro do Gênesis e do Evangelho de Lucas descrevem duas cenas muito fortes nas quais a vontade de Deus é demonstrada com muita clareza e sem nenhum risco de erros. Abraão viu no braseiro misterioso um sinal da aliança de Deus para com ele e para os seus descendentes, enquanto Pedro, Tiago e João testemunharam a transfiguração de Jesus.
Não é difícil perceber a mensagem nesses dois casos: são manifestações e expressões diretas da vontade de Deus, do seu desejo e do seu sonho para que todos possam viver uma vida centrada Nele aqui na terra, experimentando já, agora, a plenitude da vida para sempre no céu.
Ah! se a vontade de Deus fosse sempre tão simples de entender! Se pudéssemos sempre discernir a vontade de Deus para nós e para os outros!  Oxalá pudéssemos saber exatamente o que Deus quer de nós em todos os momentos e com absoluta clareza! Oxalá Deus falasse a todos através da transfiguração da luz ou da fumaça!
Claro que, para a maioria de nós, isso não acontece. Como estes tipos de comunicação não estão disponíveis para nós, podemos perguntar: como discernir a vontade de Deus para nós?  Francisco de Sales sugere algumas coisas que podem ajudar-nos a discernir a vontade de Deus em nossas vidas.... e como esta vontade interfere nas nossas relações com os outros.
Primeiro, ter em consideração os Dez Mandamentos e outras dicas que são encontradas nas Escrituras. Considerar a tradição, os ensinamentos, as práticas e a autoridade da Igreja. Prestar atenção para as obrigações e responsabilidades que nos acompanham no estado e no momento em que nos encontramos. Por exemplo, se você é casado, está trabalhando e criando uma família, a vontade de Deus para vocês seria incluir coisas como ir à missa, honrar pai e mãe, cultivar suas relações como esposos, atender as necessidades e ensinar seus filhos a fazer suas tarefas de modo gentil, justo e ético, equilibrando as exigências do trabalho, do lazer, da casa, do escritório, etc., etc.
Em segundo lugar, observar as circunstâncias, as situações e as relações encontradas em cada dia, cada hora, cada momento. Prestar atenção às demandas e necessidades dos outros, pois podem ser expressões da vontade de Deus para você.
Terceiro, aprofundar a sua capacidade de ouvir. Prestar atenção não só ao que está acontecendo ao seu redor, mas também para o que está acontecendo dentro de você. Aprender a identificar e filtrar a estática externa e interna em sua vida. A oração e a participação na vida litúrgica/sacramental da Igreja são dois aliados muito poderosos neste esforço.
Quarta, desenvolver e nutrir amizades espirituais. Assim como a vontade de Deus nunca se expressa num lugar totalmente isolado de tudo, não tente entender tudo sozinho. Ouvir conselhos de amigos verdadeiros, quando estão tentando descobrir o que Deus quer que você faça numa determinada situação.
Finalmente, ser paciente. Confie no amor de Deus para com você. Mesmo quando as revelações de Deus são inconfundíveis, muitas são mais sutis e são reveladas pouco a pouco: verdadeiramente, podem durar toda uma vida.

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Dos escritos de São Francisco de Sales

Nas leituras de hoje, o Pacto de Abraão e da Transfiguração revelam o quanto Deus quer o nosso amor, e, através deste, nos conceder a glória eterna. São Francisco de Sales acrescenta: "Quando Deus falou com Abraão e prometeu-lhe descendentes tão numerosos como as estrelas do céu, Abraão contava apenas com a palavra de Deus, que lhe dava a certeza de que assim aconteceria. Deus também nos fala através das inspirações, e estas revelam os mistérios da fé."
É através da fé que chegamos a conhecer a Palavra de Deus. Devagar e com cuidado, Ele vai fortalecendo, através do amor divino, os corações que aceitam suas inspirações. Estas primeiras percepções do amor de Deus são derramadas em nós pelo Espírito Santo. Mesmo assim, esses primeiros movimentos do amor só representam a aurora da fé. Eles são como os brotos verdes da primavera. A fé começa com um amor para as coisas de Deus. A fé mostra-nos que temos incutido em nós uma inclinação natural e sagrada, a amar a Deus acima de todas as coisas. Não há outro amor que possa satisfazer esse desejo.
Embora todos podemos rejeitar a inspiração divina, não podemos impedir que Deus nos inspire. As inspirações são favores que Deus faz muito antes de as percebermos. Deus nos desperta quando estamos dormindo. Mas depende de nós levantarmos-nos ou não. Ele não irá nos despertar sem a nossa cooperação. Temos que dar o nosso consentimento ao chamado de Deus, por que ele sempre respeita a nossa liberdade. Deus não nos tem como escravos, apenas como amigos. É por isso que nosso Salvador nunca nos abandona. Somos nós que o abandonamos.
Nossa confissão de fé é o ato de escolher amar e servir a Deus como servos fiéis. Simplesmente e fielmente percorra o caminho que Deus tem preparado para você, e ande com confiança. Esteja em paz, que o nosso Salvador, que mostra a sua glória, tomou sua mão e o encaminhou rumo à glória eterna.
(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Reflexão Salesiana para o Primeiro Domingo da Quaresma - 17 de fevereiro de 2013


Destaque: "Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo diabo."

Perspectiva Salesiana

Enquanto Jesus estava se preparando para começar o seu ministério público, para anunciar a Boa Nova de Reino de Deus, para ser o tipo de Messias que Seu Pai desejava, para abrir sua mente e seu coração ao poder e a promessa do Espírito Santo, ele foi tentado.
Foi tentado a transformar pedra em pão. Tentado para com todo o poder e glória dos reinos terrenos. Ele foi tentado a saltar do templo. Presumivelmente, para convencer as pessoas de sua identidade e de sua autoridade de uma só vez.
Qual a tentação crucial? Jesus foi tentado a se tornar outra pessoa, diferente daquela que Deus queria que ele fosse. Jesus foi tentado a ser um tipo diferente de salvador. Jesus foi tentado a acreditar que havia uma maneira mais fácil de resgatar, salvar, santificar. Jesus foi tentado a acreditar que havia um atalho que poderia fazer no caminho da salvação.
Podemos nos identificar com esse tipo de tentação. Quantas vezes dizemos a nós mesmos que seríamos mais felizes, mais saudáveis e mais santos se fôssemos outra pessoa? Quantas vezes dizemos que deveria haver outra maneira (uma maneira mais fácil, um atalho) para ser uma boa esposa, um bom marido, um bom filho ou uma boa filha, um bom irmão e uma irmã boa, um bom amigo ou um bom vizinho? Será uma tragédia se pensarmos que poderemos seu uma pessoa diferente de quem somos. Que viveremos melhor se morarmos em outro lugar. Desta forma nunca viveremos a única vida que Deus nos deu se ficarmos buscando atalhos para seguir o caminho que Deus quer que caminhemos.
Francisco de Sales escreveu: "Não semeies teus desejos no jardim da outra pessoa. Simplesmente cultiva teu jardim da melhor forma possível. Não desejes ser outra pessoa que não és. Em vez disso, deves desejar ser quem tu és, com perfeição. Concentra teus pensamentos sobre esta realidade e melhora quem você é, e carregue a cruz, seja grande ou pequena, que surgirá ao longo do caminho. Acredite, isso é o ponto mais importante, e o menos compreendido na vida espiritual "( Cartas de Direção Espiritual , p 112.)
Jesus foi tentado para ser alguém e algo diferente do que ele era. Jesus foi tentado a deixar o caminho autêntico do amor e trocá-lo pela promessa vazia e diabólica de um atalho. Jesus foi tentado a tomar o caminho (aparentemente) mais fácil. Mas a sua crença no plano de Deus o levou a repudiar a promessa vazia de um acordo até a metade do caminho que leva à felicidade, saúde e santidade.
Hoje começamos este tempo da Quaresma. Peçamos a coragem que precisamos para reconhecer a voz do tentador em nós. Peçamos a clareza para poder ver as formas como somos tentados a passar a vida, querendo ser outra pessoa. Peçamos a graça e a força para seguir o exemplo de Jesus.
Seja quem você é e seja da melhor maneira.
P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Reflexão Salesiana para o quinto Domingo do Tempo Comum - 10 de fevereiro de 2013


Destaque: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”.

Perspectiva salesiana

Temos todas as razões para acreditar que Pedro era um pescador muito bom. Ele sabia como, quando e onde encontrar o peixe. Ele sabia onde eram os melhores lugares para pescar. Ele sabia quando deveria ficar num lugar e quando se mudar para outro local. Talvez o mais importante, Pedro sabia que até mesmo os pescadores mais bem sucedidos, por vezes, voltam para casa de mãos vazias.
Entra em cena Jesus: um novo rosto, um novo nome. Jamais Pedro iria pensar que Jesus pudesse dar um conselho sobre como pescar, pois para ele era Jesus era um grande mestre e tinha curado muitos doentes. Poderíamos culpar Pedro desta falta de descrença inicial?
No entanto, ele aceitou o conselho. Qualquer que tenha sido o motivo, uma intuição sobre o poder de Jesus, por exemplo, Pedro e seus colegas foram para as águas profundas do lago. E como sabemos, seu esforço foi recompensado muito mais do que eles esperavam.
Esta mudança misteriosa e repentina fez com que Pedro reconsiderasse seus próprios pecados. Em particular, talvez, acreditando que Jesus sabia mais sobre pesca, mesmo constrangendo Jesus. Talvez também pelo seu próprio ressentimento de saber que Jesus estava certo.
Parece que Pedro não era tão perfeito depois de tudo.
Ainda assim, é precisamente essa pessoa imperfeita (juntamente com outras pessoas imperfeitas), que Jesus chamou para aprender e compartilhar seu amor. Por quê?
São Francisco de Sales diz: "Mesmo estando sujeito a muitas imperfeições, São Pedro foi escolhido, porque apesar de seus defeitos, ele estava sempre cheio de coragem para repensar uma situação. Pedro teve a coragem de ouvir, não importando o quanto foi relutante, mesmo depois de ser ridicularizado frente aos seus colegas, para seguir o conselho de Jesus. Pedro teve a coragem de enfrentar sua própria arrogância. Finalmente, Pedro teve a coragem de acreditar que, por vezes, a sabedoria de Deus se estende além de nossas expectativas e opiniões”.
Nós, como Pedro, somos pessoas imperfeitas. Temos falhas e faltas. Mesmo assim Jesus nos chama, assim como somos, para sermos seus discípulos. Tenham coragem de reconhecer seus dons, tenham coragem de reconhecer seus pecados, tenham coragem de aprender com os outros, acima de tudo, tenham coragem de seguir o convite de Deus, não importa onde, quando ou como este acontece.

P. Michael S. Murray, OSFS – Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Reflexão Salesiana para o 3º domingo do Tempo Comum - 27 de janeiro de 2013


Destaque: "Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir."

Perspectiva salesiana

As palavras são como átomos. Elas podem curar. Elas podem energizar. Elas podem ampliar e melhorar a qualidade de vida.
As palavras também podem machucar. Elas podem dividir. Elas podem envenenar. Elas podem destruir.
São Francisco de Sales entendia que nossas palavras, o que dizemos, como dizemos, tem um forte impacto sobre os outros. Assim, ele oferece o seguinte conselho: "Que tua palavra seja suave, aberta, honesta, franca, que não afete ninguém e que seja honesta." A integridade, a justiça e a equidade devem ser características da nossa linguagem. Muitas vezes nossas palavras não comunicam nada. Ainda assim, ser honesto não requer que sejamos brutos ou que “acumulemos”. Às vezes temos que falar de modo direto, dizendo tudo o que deve ser dito. Quando temos tivermos dúvidas, Francisco diz: "Nunca é apropriado dizer algo que vai contra a verdade".
"Nunca dar a outros a oportunidade de acreditar que coisas ruins estão sendo ditas sobre eles. "Quando se fala em público, sejamos tão universais quanto for possível. Sempre que você tem que falar em particular, faça-o com sensibilidade e discrição. Nunca use palavras que prejudicam os outros ou façam os outros pensar que vocês o estão ferindo."
 "Nunca ganhe nada pela dureza. "Não importa o quão justo ou nobres são os nossos valores. Não iremos ganhar nada promovendo-os com palavras que são brutais e que ferem os outros."
 "A sabedoria consiste em saber como e quando falar e quando e onde ficar quieto."Em alguns casos, as ações falam muito mais, e de forma mais eficaz, do que palavras."
"A fidelidade, a simplicidade e a sinceridade de nosso discurso é verdadeiramente um grande ornamento da nossa vida cristã".
Não existe dúvida de como Deus usa as palavras. As palavras de Deus, personificadas em Jesus, "trazem boas notícias aos pobres, proclamam libertação aos cativos, dão vista aos cegos, libertam os oprimidos e proclamam um tempo favorável para a vinda do Senhor."
Em suma, a Palavra de Deus cura, liberta, incentiva e estimula outros. Quando falamos, qual é o efeito de nossas palavras?
P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcisio Paulo Odelli


Dos escritos de São Francisco de Sales

Na leitura de hoje, da carta aos Corintos, São Paulo diz  que os membros da comunidade cristã têm funções e dons diferentes  que contribuem para a unidade da comunidade onde vivem. São Francisco de Sales fala dos dons que nos unem, mesmo no meio das nossas diferenças:
Como membros do corpo da Igreja estamos tão unidos que partilhamos o nosso bem-estar individual. Mesmo os doentes, apesar de seus sofrimentos constantes, admiravelmente, na prática da virtude, podem contribuir para o bem-estar da comunidade. Nosso Salvador quer que o amor sagrado nos una. Como membros vivos de Cristo e da Igreja, os frutos do nosso trabalho são distribuídos, e beneficiam todos aqueles com os quais estamos ligados pelo amor sagrado. Para fazer vinho se espremem muitas uvas. Muitos grãos de trigo são moídos e amassados ​​para fazer um pedaço de pão. Partilhar a Eucaristia juntos é um dom e é a fonte de nossa união, porque a Eucaristia nos une como filhos de Deus.
Devemos valorizar imensamente os dons que recebemos de Deus e fazer o nosso melhor para conseguir o bem-estar de todos. Isto pode ser difícil às vezes. Podemos muitas vezes ter dúvidas sobre se aceitamos as responsabilidades que nos são confiadas. Ainda assim, com simplicidade e em nossos corações, dizemos "tudo posso em Deus, que me dá força." Nós fazemos o que temos que fazer sem nos preocupar com o tamanho da tarefa, o tempo necessário, ou os muitos atrasos que possamos ter. Porque o Espírito Santo que habita em nós, faz com que nossas obras frágeis reflitam a grandeza do amor de Deus que nos une a todos.
(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Reflexão Salesiana para o Segundo Domingo do Tempo Comum - 20 de janeiro de 2013


Destaque: "Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia, e manifestou assim a sua glória, e seus discípulos creram nele."

Perspectiva Salesiana

Como um primeiro passo para Jesus "se tornar conhecido", esta primeira demonstração do poder divino dele é, por assim dizer, modesta.  Aqui não houve milagre espetacular. Não houve exorcismo de demônios, nem ressuscitou algum morto. Ao contrário, ele simplesmente impediu que o provedor ficasse sem vinho durante a recepção que se seguiu ao casamento.
 Muitas pessoas consideram isso como um mau uso, inclusive como um desperdício do poder salvador de Jesus. O próprio Jesus parece ter sentido que seu poder poderia ser usado de uma maneira melhor e depois em outros lugares.
Mas Francisco de Sales não pensa o mesmo. Ele observa que esse milagre tem um significado que vai além do que pode ser visto a olho nu. Aqui está um exemplo de como o poder de Deus permeia todas as experiências humanas, mesmo as mais comuns. Com isso se refere à prática das "pequenas virtudes", algo muito valioso para São Francisco de Sales, e a marca da sua compreensão do poder salvador de Cristo.  Em seu Tratado do Amor de Deus, Francisco de Sales escreveu: "É possível que uma virtude muito pequena tenha um valor muito maior para uma alma na qual reina o amor sagrado, com um fervor que é maior do que o martírio numa alma onde o amor é doentio e fraco." (Livro 11, Capítulo 5) Dito de outra forma, as pequenas virtudes, a expressão de cuidado ou preocupação por circunstâncias que parecem normais, pode ser" mais agradável aos olhos de Deus do que as grandes e famosas obras que são feitas com pouca caridade e devoção ".
Ainda assim, há espaço para grandes manifestações de amor: "Eu não estou dizendo que não devemos aspirar às virtudes notáveis, mas se sustento que devemos treinar-nos nas pequenas virtudes, é porque sem estas, as obras grandes são falsas e enganosas. "(Stopp, letras selecionadas , p. 159)
Jesus pode ter sido tentado a acreditar que transformar água em vinho fosse uma ação bem abaixo da sua dignidade divina, talvez até mesmo da sua dignidade humana. Eventualmente as necessidades dos outros eram mais persuasivas do que o desejo de "fazer um grande show" para os outros. Ironicamente, pode ter sido a disposição de Jesus de usar seus poderes celestiais para satisfazer um pedido aparentemente tão comum, que permitiu que seus discípulos "começassem a acreditar nele."
Seus mais milagres famosos, maravilhosos e com manifestações de poder vieram depois. Mas seja na cruz do Calvário, ou num simples casamento em Canaã, o poder, a promessa e a pessoa eram uma e a mesma coisa.
A moral deste milagre? Nada é pequeno demais para o Reino de Deus. Podemos dizer o mesmo de nós mesmos?

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Dos Escritos de São Francisco de Sales

O Evangelho de hoje fala de como Deus está presente em Jesus no momento em que ele transforma a água em vinho, e como este é um símbolo de nossa própria transformação em Cristo. São Francisco de Sales observa que:
Jesus veio para criar uma nova humanidade. Ele dá início ao seu ministério, o de transformar a pessoa humana, mostrando a bondade de Deus ao fazer um milagre durante o banquete. Jesus realiza a transformação da água durante a festa de casamento em Caná, quando ele percebe que os noivos estão sem vinho. Noutro banquete, realizado antes de sua morte, Ele instituiu o sacramento da Eucaristia, para que pudéssemos ser nutridos e ser como Ele.
A bondade de Deus na Pessoa de Jesus aparece diante de nós na transformação da água em vinho e da instituição da Eucaristia. A presença de Cristo em nossa vida transforma as águas mornas do nosso amor no vinho do amor de Deus. O amor divino nos revigora e fortalece-nos no longo caminho que leva à plenitude, que é Jesus vivo.
Maria, no evangelho de hoje, convencida de que Jesus proveria o vinho para os recém-casados, fala com seu filho sobre a necessidade que apareceu. Da mesma forma, devemos confiantemente pedir a Deus para nos ajudar nas necessidades espirituais e temporais que temos. Na oração, pedir a Deus diariamente para a vinda do Reino de Deus, e que faça a vontade de Deus. Mas Jesus também nos disse para pedir a Deus o pão de cada dia.
Quando estamos desanimados e nos sentimos desolados, devemos apresentar a Deus a nossa necessidade com plena convicção de que Ele vai nos responder de acordo com nossas necessidades. Podemos dizer: "Estar diante de ti como sou, já é suficiente. Tu te encarregarás de minhas misérias e das minhas necessidades como desejares.” Mesmo que Deus nunca nos der mais do que o nosso ego quer, teremos a certeza de que Ele sempre nos provê tudo para nosso bem-estar. Sempre e quando tivermos vontade de aceitar a Sua presença em nossas vidas.

(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales, especificamente os sermões de São Francisco de Sales, Fiorelli L., ed). 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Reflexão Salesiana para o dia do BATISMO DO SENHOR -13 de janeiro de 2013


Destaque: "Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão"

Perspectiva Salesiana

A história do batismo de Jesus termina com o som de uma voz vinda do céu, dizendo: "Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu benquerer".
Por que Jesus é o filho favorito de Deus? Porque Jesus é o Filho da Justiça. Jesus mede tudo com os padrões estabelecidos por Deus, para dar a todos o que lhes corresponde.
Isaías nos diz que Deus nos chamou, como Cristo, "para o triunfo da justiça" e nos Atos dos Apóstolos, para "agir honestamente". Mas, falando em termos comuns, que significa trabalhar para a justiça de Deus, e agir honestamente?
Consideremos por um momento o ato oposto de atuar justa e honestamente: "nós condenamos o nosso vizinho por qualquer coisinha, mas nos escusamos de outras muito grandes que cometemos e que causam impacto. Queremos vender a preços elevados, mas comprar a preços de pechincha. Exigimos que se trabalhe de modo correto noutra casa, mas que a misericórdia e a generosidade sejam concedidas a nossa casa. Queremos que as pessoas não levem muito a sério as coisas que dizemos, mas nos mostramos sumamente suscetíveis e ofendidos pelos comentários dos outros". (Introdução à Vida Devota, Parte III, Capítulo 36). Viver uma dupla moral está no fundo da injustiça. É usar duas balanças diferentes para pesar o mundo: a balança com a qual pesamos tudo aquilo que resulte em nosso benefício, e a outra, com a qual pesamos tudo aquilo que implique em desvantagem para os outros.
O que torna difícil identificar nossos atos de injustiça é que essas coisas quase nunca são grandes. Pelo contrário, são muitas vezes pequenas coisas que fazemos e, portanto, são fáceis de ignorar. São Francisco de Sales escreve: "O amor-próprio nos impulsiona e nos encoraja a cometer inúmeros e pequenos, mesmo perigosos, atos de injustiça e iniquidade. Como são tão pequenos não nos incomodamos. Porque são muitos, é mais fácil que causem grandes ferimentos, tanto em nós mesmos, assim como nos outros".
Francisco de Sales diz que as pessoas justas e honestas são, em suma, pessoas sensatas. Elas não vivem moral dupla. São pessoas integras. Seguem a Regra de Ouro: trate os outros como você gostaria de ser tratado, e não espere conseguir dos outros, aquilo que eles mesmos se recusam a colocar em prática. As pessoas justas e honestas usam apenas uma medida: o amor de Deus. "Filoteia, seja igual justa em todas as tuas ações. Toma o lugar do próximo e põe-no no teu, e sempre julgarás com equidade". São Francisco diz: "Viva com um coração generoso, nobre, educado, verdadeiro, justo e sensato" (ibid.).
Na medida em que fizermos isso para os outros, todos e em cada um de nossos dias, cresceremos como "filhos e filhas amados de Deus". O favor de Deus estará conosco - e habitará em nós, sempre e quando partilhamos o que Ele nos deu com as outras pessoas.

P. Michael S. Murray, OSFS é- Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Dos escritos de São Francisco de Sales

Hoje nós celebramos o Batismo de Jesus lembrando o início de seu ministério. São Francisco de Sales observa que Deus nos chamou para o seu serviço, mesmo que isso às vezes envolva um grande esforço para nós:
Nosso Salvador usa meios insondáveis quando ele nos chama a servi-lo, mas ele sempre o faz de modo amoroso e diferente. Quando tomamos a firme vontade de servir a Deus na forma e no lugar onde Ele nos chamou para servir, estamos mostrando que a nossa vocação é verdadeira. Mesmo sendo fortes e perseverantes no nosso serviço a Deus, podemos cometer faltas. Também pode acontecer que coloquemos em dúvida a nossa vontade de usar os meios que foram colocados ao nosso alcance para servir a Deus. Estamos todos à mercê dos nossos sentimentos e das nossas emoções e, portanto, sujeitos a alterações. Mas não devemos nos preocupar se às vezes sentimos que estamos distanciando-nos, ou se sentimos relutância em atender ao chamado para servir a Deus. É normal sentir esses altos e baixos. Que não sejamos excessivamente virtuosos não nos torna menos dignos para o serviço. O importante é manter-nos firmes, mesmo se sofremos essas mudanças no estado da nossa mente. Há certas virtudes que só podem ser implementadas quando passamos por dificuldades. Não será a teimosia de nossos sentimentos, mas nossa intenção de perseverar voluntariamente no serviço de Deus que determinará a força do nosso compromisso de amar como Deus quer que amemos.
Um bom músico de instrumento de corda tem o hábito de verificar com frequência as cordas do seu instrumento, para ver se elas precisam ser ajustadas ou soltas, contribuindo assim para a harmonia impecável no momento da interpretação. Também, ocasionalmente, temos de examinar e avaliar todas as afeições do nosso coração, para ver se elas estão em sintonia com os desejos e mandamentos do nosso Salvador. Fortaleçamos nosso fervor reafirmando nosso compromisso de sermos filhos e filhas de Deus, chamados a amar divinamente. Vamos viver com coragem e vamos ser fiéis ao sentimento original e a emoção em nossos corações que nos chamam para servir a Deus. É assim que seremos felizes!

(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Reflexão Salesiana para o dia da Epifania - 6 de janeiro de 2013


Destaque: "Onde está o novo rei dos judeus?"

Perspectiva Salesiana

Os reis magos deixaram tudo que lhes era familiar para seguir somente uma estrela que eles acreditavam ser o símbolo de uma nova era de poder e de possibilidades.
Eles eram homens com uma missão. Eles estavam focados naquilo que tinham que fazer. Eles tiveram coragem de sonhar para conceber e realizar um sonho. Ninguém, nada poderia dissuadi-los deste desejo de seguir a estrela, para onde quer que ela leve.
Em contraste conosco, como observou São Francisco de Sales, "é realmente uma grande pena ver almas, e são muitas, que, mesmo quando se esforçam para conseguir a perfeição, imaginam que esta consiste em ter muitos desejos. Elas sempre buscam ansiosamente os meios para realizar estes desejos, às vezes imediatamente e às vezes depois. Elas nunca estão satisfeitas ou tranquilas, porque do mesmo modo como formam um novo desejo, logo em seguida concebe outro". (VII Conferência , oitava da Epifania, 1620)
Seguir a estrela é algo para pessoas que mantêm a mente focada numa só coisa.
Hoje não precisamos deixar para trás nada que nos é familiar para encontrar o rei dos judeus. Ao contrário, precisamos prestar atenção nas pessoas, nas circunstâncias e nos eventos que preenchem nossas vidas diárias. Precisamos nos concentrar na Estrela da vida e do amor que é Jesus Cristo. Precisamos absorver a visão da justiça e da verdade. Precisamos ser motivados pela promessa e pela possibilidade da paz. Precisamos nos dedicar ao sonho da reconciliação e da cura, sem nos importarmos com quem ou com o que possa atrapalhar nosso caminho.
Como seguidores de Jesus, somos pessoas com uma missão. Temos que nos manter focados. Temos que reunir todos os nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas atitudes, nossas energias e nossas ações em nossas tentativas diárias para realizar o sonho da paz e da justiça. Devemos seguir a estrela que é Jesus Cristo onde quer que ela nos leve.
Somos tentados a seguir uma grande multidão de desejos num determinado dia. Por isso pedimos que Deus nos dê visão e disciplina para manter apenas o Único Desejo que realmente importa, o Verdadeiro Desejo que nos leva para a luz, que nos conduz à vida, que nos leva ao amor.

P.Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.

Dos Escritos de São Francisco de Sales

Celebramos hoje a festa da Epifania, e no Evangelho percebemos e experimentamos a confiança dos Magos que buscavam a bondade de Deus presente no menino Jesus. A capacidade de confiar plenamente na bondade de Deus é um tema constante nos escritos de São Francisco de Sales:
Os reis magos do Oriente caminham com confiança, guiados pela Estrela de Davi, em busca do recém-nascido na manjedoura, a quem prestarão homenagem. Não ficam deslumbrados nem cativados pela beleza da cidade de Jerusalém, nem pela grandeza da corte de Herodes. Seus corações buscam apenas a pequena gruta em Belém, e a seu pequeno Menino. Eles renunciam resolutamente a qualquer outro tipo de prazer, para assim desfrutar com plenitude total da presença de Deus no menino Jesus.
Aproximemo-nos de nosso Salvador que está no berço, e escutemos as muitas inspirações e emoções, e como tudo isso vai despertando a bondade de Deus em nós. Pode haver momentos em que achamos que é muito difícil confiar em Deus. Pode acontecer realmente que não sintamos nenhuma confiança Nele. Mesmo assim, no meio destas dificuldades, todos nós podemos realizar um simples ato de fé. Podemos dizer: "mesmo quando eu não confio em Ti, eu sei que tu és meu Deus, e que eu sou todo teu".
Não devemos sentir-nos afligidos se fazemos isso sem fervor. Nosso Senhor ama este ato mesmo quando for assim, porque o que nossos lábios estão dizendo neste momento é a vontade de nossos corações. É desta forma que continuamos a fazer progressos no amor sagrado, em nossa jornada rumo à plenitude. Nossa confiança deve ser colocada em Deus, que é imutável, e não em nós que mudamos constantemente. Ninguém pode confiar em Deus sem colher os benefícios dessa confiança. Sejamos como os Reis Magos que seguem a Estrela de Davi: empenhemo-nos na busca do amor divino confiando no amor de Cristo que nos enche a cada momento. Cristo, que orienta a todos aqueles que optam por andar em Sua luz radiante.

(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales, especificamente os Sermões, L. Fiorelli, Ed.). 
Tradução: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB