sexta-feira, 17 de maio de 2013

Reflexão Salesiana para o domingo de Pentecostes - 19 maio de 2013


Perspectiva Salesiana

Destaque: "Cada um de nós ouve falar em nossas próprias línguas sobre as coisas maravilhosas que Deus fez."

Independentemente do fato de que eles estavam falando a pessoas diferentes, com línguas diferentes e de diferentes culturas, os apóstolos foram compreendidos por todas as pessoas que os ouviram proclamar as maravilhas que Deus tinha feito.
Como isso foi possível? 
Inflamados pelo amor do Espírito Santo, os apóstolos podiam falar a linguagem do coração. Eles estavam falando com entusiasmo. Eles estavam falando com gratidão. Eles estavam louvando e dando graças. Eles estavam falando desde as profundezas do seu ser. Eles estavam falando de sua alma. 
Em suma, eles estavam falando a linguagem universal - a linguagem do coração.
Nós somos muito humanos - nós somos muito divinos - quando falamos a linguagem do coração, quando falamos a linguagem do amor, quando falamos e ouvimos com a alma, quando estamos fundamentados na Palavra feito Carne.
Como bem sabemos, por experiência própria, a comunicação é mais do que o encontro de olhares... ou da língua ou dos ouvidos. Comunicar-se é algo mais fácil de dizer do que fazer. Muitas vezes interpretamos mal. Muitas vezes, presumimos que sabemos o que as outras pessoas estão pensando ou sentindo. Muitas vezes usamos as mesmas palavras, embora tenham significados diferentes. Muitas vezes temos maneiras diferentes de dizer a mesma coisa. Muitas vezes ouvimos, mas muitas vezes não conseguimos ouvir. Estamos sempre falando, mas falar não é o mesmo que comunicar.... Ou falar de coração a coração.
São Francisco de Sales nos diz que o Espírito Santo vem para inflamar os corações de quem tem fé. Quando falamos e ouvimos com o coração inflamado de alegria, verdade e gratidão, o conflito encontra um caminho para a compreensão, a confusão encontra a clareza, a distância encontra o caminho para a intimidade, a dor encontra uma forma de cura, a frustração encontra o perdão, a paz encontra a violência, o pecado encontra a salvação.
Francisco de Sales nos dá o seguinte conselho: "Falem sempre de Deus como Deus, ou seja, com reverência e devoção, não com ostentação ou com afetação, mas um espírito de caridade, manso e humilde.  Deixem que o mel da devoção e das coisas divinas, que são imperceptíveis ao ouvido de uma ou de outra pessoa fluam tanto quanto possam dentro de vocês. Orem em seus corações para agradar a Deus, para que ele faça penetrar nos corações daqueles o ouvem o orvalho abençoado. É maravilhoso como uma proposta doce e amigável atrai os corações dos ouvintes."
Como nós podemos conversar, ouvir e praticar nos dias de hoje a linguagem do amor?

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales. 
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Dos escritos de São Francisco de Sales e Joana de Chantal (adaptação)


O grande amor e os cuidados de Deus novamente se manifestam na Festa de Pentecostes. O fato de que o Espírito Santo vive em nós é essencial para a espiritualidade de São Francisco de Sales. 
O amor é o que dá vida ao coração. O Espírito Santo que nos foi dado derrama o amor de Deus em nossos corações. O Espírito é como uma fonte de água viva que flui em cada parte de nossos corações e vai distribuindo Sua graça. A graça tem o poder de atrair nossos corações. Através do Espírito Santo, Deus desperta e anima os nossos corações para que tomem consciência da sua bondade. Muitas vezes precisamos que nos acorde e nos leve pela mão para que façamos uso adequado da nossa força e dos dons e talentos. 
Se quisermos sentir a presença do Espírito Santo em nós, devemos nos livrar de nossos caprichos e acomodar a nossa vontade a vontade de Deus. Devemos ser como o barro na mão do oleiro, para que Deus possa moldar-nos e levar-nos para o caminho da verdadeira saúde espiritual. Mesmo quando podemos impedir que Deus inspire nossos corações, todos nós temos o poder de rejeitar o desejo que Deus tem de amar-nos. Da mesma forma, o Espírito Santo não tem vontade de trabalhar em nós sem o nosso consentimento. Mas, se concordarmos  minimamente com a inspiração de Deus, que felicidade nós teremos! 
O único fruto do Espírito Santo, que é o amor divino nos enche de alegria interior e conforto, ao mesmo tempo em que enche os nossos corações de a paz que perdura, mesmo no meio da adversidade, pela paciência. O amor Sagrado nos torna amáveis e gentis e no momento de ajudar os outros o faremos com uma bondade sincera para com eles. Esta bondade que vem do Espírito Santo, é constante e perseverante, e nos dá uma coragem duradoura, nos torna afáveis, agradáveis e atenciosos com os outros. Isso faz com que suportemos as mudanças de seu humor e suas imperfeições. Viveremos uma vida simples que será testemunha de nossas palavras e ações. O amor divino é a virtude de todas as virtudes. Apreciemos e cultivemos o Espírito que habita em nós, para que o amor de Deus possa reinar lá também.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

ASCENSÃO DO SENHOR - 12 de maio de 2013
























Destaque "Ide, fazei discípulos de todas as nações."
Perspectiva Salesiana

Falando sobre o mistério da Ascensão de Nosso Senhor, Francisco de Sales escreveu: "Nós abandonamos a nossa vida humana para viver outra vida mais eminente, acima de nós, escondendo toda essa vida nova em Deus com Jesus Cristo, que é o único a vê-la, a conhecê-la, e a dá-la. A nossa nova vida é o amor celestial, que nos anima e vivifica a alma, e esse amor está completamente escondido em Deus e nas coisas de Deus, com Jesus Cristo. Como dizem as sagradas palavras do Evangelho, depois que Jesus Cristo se deixou ver por instantes aos discípulos, Ele subiu ao céu e uma nuvem o envolveu e o arrebatou, escondendo-o aos olhos deles. Jesus então está escondido no céu, em Deus. Jesus Cristo é o nosso amor e o nosso amor é a vida da nossa alma. Assim, a nossa vida está escondida em Deus com Jesus Cristo, e quando Jesus Cristo, que é o nosso amor e, por conseguinte a nossa vida espiritual aparecer no Dia do Juízo, então estaremos com ele na glória. Isto significa que Jesus Cristo, o nosso amor, há de glorificar-nos, comunicando-nos a sua própria felicidade e glória." (Tratado do Amor de Deus, Livro VII, Capítulo 6).
Nossa vida está, certamente, escondida em Deus. A realidade mais profunda de quem somos é conhecida apenas por Deus. Mesmo assim, segundo Francisco de Sales, viver uma vida escondida em Deus não é o mesmo que manter esta vida em segredo: é testemunhar a nossa verdade mais profunda de quem somos - e quem é Deus - através da qualidade de nossos relacionamentos com os outros. Portanto, é oportuno que Francisco de Sales no convide para praticar as virtudes escondidas, "estas pequenas e humildes virtudes que crescem como flores ao pé da cruz: ajudar os pobres, visitar os doentes, a cuidar de sua família, realizando todas as tarefas que isso inclui, e com a diligência que não vai deixar você se distrair." (Introdução à Vida Devota, Parte III, Capítulo 35).
Através da Ascensão, Jesus foi tirado da nossa vista, mas apenas do alcance da nossa vista física. Mesmo assim, a mesma autoridade que Jesus pediu ao Pai, foi dada a nós em virtude de nossa criação e confirmada em nosso batismo. Nós somos chamados a continuar a obra que Jesus começou, isto é, fazer discípulos - seguidores que acreditam - de e em todas as nações. Somos chamados a sermos símbolos do desafio permanente de redenção de Deus, mas no trabalho simples e comum de cada dia.
Paradoxalmente, enquanto permanecemos fiéis à prática das pequenas e escondidas virtudes que crescem "ao pé da cruz" Jesus não estará mais escondido: ele se tornará visível em nosso amor, na nossa preocupação, na nossa luta em favor da justiça, na nossa promoção da paz, no nosso desejo de perdoar, nas nossas tentativas de curar.
Qual é a forma mais poderosa - e convincente fazer discípulos em todas as nações?
Ou pelo menos, que as pessoas com quem interagimos todos os dias no nosso cantinho do mundo, se tornem discípulos?

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Reflexão Salesiana para o sexto Domingo de Páscoa - 5 de maio de 2013



Destaque: "Deixo-vos a paz, a minha paz vou dou; mas não a dou como o mundo."

Perspectiva Salesiana

No Evangelho de hoje, Jesus faz uma distinção entre "a paz como o mundo oferece" e a paz que vem dele.
Mas o que Jesus quis dizer com isso?
O dicionário define a paz como: relação entre pessoas que não estão em conflito; acordo, concórdia;    relação tranquila entre cidadãos; ausência de problemas, de violência; situação de uma nação ou de um Estado que não está em guerra; cessação total de hostilidades entre Estados, mediante celebração de tratado; armistício; estado de espírito de uma pessoa que não é perturbada por conflitos ou inquietações; estado característico de um lugar ou de um momento em que não há barulho e/ou agitação; calma, sossego.
A visão de paz que o mundo oferece, suficientemente apropriada, nos diz que, a fim de experimentar a verdadeira satisfação interior, devemos primeiro estabelecer um mundo em que não há guerra, não há luta, não há motins, não há divergências, não há desordem pública ou o caos. Mesmo quando esta visão é tentadora, a história do mundo e a nossa dolorosamente ilustra a falácia, a transitoriedade desta promessa de paz... pelo menos esta forma de tentar obtê-la.
Em contraste, a paz que Jesus promete começa a partir de dentro. Trata-se de ter integridade. Trata-se de ter um propósito. Trata-se de encontrar um sentido. Trata-se de ter uma missão. Resumindo, trata-se de ter um sentido claro e inequívoco de ser, o ser que só pode ser compreendido e totalmente atualizado no contexto de nossa relação com Deus, conosco mesmos e com os outros.
Este é o tipo de paz que o mundo não pode nos oferecer.
Ironicamente, a promessa que Jesus nos fez sobre a paz interior nos dá a esperança de paz para o mundo. Só quando deixarmos de lado nossas hostilidades pessoais poderemos realmente trabalhar para alcançar um mundo sem guerra. Só quando deixarmos de lado nossa necessidade de estarmos sempre certos, nós nos esforçaremos para ter um mundo em que as lutas não tem a última palavra. Só quando tivermos estabelecido uma ordem e direção em nossas vidas, poderemos aspirar conseguir este mesmo sentido e ordem numa escala maior. Somente quando experimentamos o poder e as possibilidades que temos pelo conhecimento, e de aceitação, de quem realmente somos aos olhos de Deus, poderemos nos tornar fontes deste mesmo poder e oportunidade na vida dos outros.
A paz de Deus não pode ser medida pela ausência de conflito. A paz de Deus é uma função que depende da nossa dedicação, quando nos esforçamos para saber quem somos e para que possamos ver mais claramente o que o mundo pode ser, e que tipo de medidas devemos tomar juntos, para fazer deste ideal, sem importar quão frágil ou fugaz seja uma realidade.
Querem paz mundial? Pensem globalmente. Mas, como Jesus, ajam localmente. Como diz a última linha de um hino bem conhecido, "Que haja paz na terra... e que esta paz comece comigo."

P.Michael S. Murray, OSFS - diretor do Centro Sales de Espiritualidade.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales 


As leituras de hoje nos lembram que amar a Deus significa cumprir Sua palavra. São Francisco de Sales destaca a nossa necessidade de aprender a cumprir a palavra de Deus e viver para Jesus, levando uma vida de oração e virtude.
A oração foca nossa a mente na luz de Deus, e expõe nossa vontade ao calor do amor de Deus. A oração é uma torrente de água benta que faz com que estas plantas que representam nossos bons desejos, cresçam verdes e exuberantes, e que floresçam. Tirem um tempo cada dia para a meditação. Se possível meditem no início da manhã, porque naquele momento as suas mentes são menos suscetíveis a distrações e estão mais ativas após o intervalo da noite. Para que possam viver Jesus, peça a Deus para ajudá-lo a rezar a partir das profundezas do seu coração.
Quando vocês meditam sobre a vida de Jesus, ao mesmo tempo em que aprendem seu modo de ser, moldam as suas ações com base no Seu padrão de vida. Acostumar-se pouco a pouco a passar da oração ao cumprimento de suas obrigações diárias com calma e com facilidade, mesmo que as obrigações diferem totalmente dos afetos que estavam recebendo quando orando. O advogado deve aprender a passar da oração para a apresentação do seu caso, o comerciante ao seu comércio, os pais de família aos cuidados dos seus filhos. Devemos aprender a fazer essa transição sem problemas. Passar de nossa experiência na meditação para o cumprimento de nossas tarefas diárias, e isso requer uma vida de virtude.
Cada pessoa deve implementar, de modo especial, as virtudes necessárias para realizar o tipo de vida ao qual foi chamado. Ao praticar as virtudes devemos preferir aquelas que melhor se encaixam com as nossas obrigações, ao invés de escolher aquelas que melhor se adéquam ao nosso gosto. Geralmente, vemos os cometas muito maiores do que as estrelas porque estão muito mais perto de nós. É só por isso que parecem maiores. Da mesma forma, existem algumas virtudes que consideramos melhores somente porque parecem mais significativas. Mas o que devemos fazer é escolher as virtudes necessárias para neutralizar nossas falhas e nossas fraquezas habituais, e, assim, avançar pelo caminho do amor sagrado. Dou um exemplo: quando forem atacados pela ira, coloquem em prática a doçura. Não importa quão pequeno possa parecer o ato virtuoso, pois a verdadeira virtude não tem limites. Se agirmos de boa fé e reverenciarmos a Deus, Ele vai nos elevar às alturas muito maiores para que possamos viver Jesus.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Perpectivas Salesianas 13 - Tentações: encontrando-as e lutando contra


A tradição salesiana identifica três etapas que levam ao pecado:
1. O pecado, grande ou pequeno, é sugerido;
2. A sugestão pode ou não agradar a pessoa tentada;
3. A pessoa pode ou não recusar-se a tentação;

Vamos ser claros: ser tentado não é, em si mesmo, pecaminoso! As tentações não podem tornar-nos desagradáveis a Deus ​​"a menos que nos deleitemos nelas e/ou as consintamos", aconselha São Francisco Sales. "Deixemos aos inimigos da nossa salvação colocar as suas armadilhas, tentações, tanto quanto eles gostam diante de nós. Deixemo-los sempre permane-cer na porta dos nossos corações buscando a entrada. Deixemos que façam tantas propostas quanto queiram. Enquanto nós estejamos determinados a  não ter prazer nisso, não poderemos nunca ofender a Deus."
Nossa primeira linha de defesa contra a tentação é desviar a nossa atenção delas, mas fazê-lo suavemente, com calma e simplesmente. Santa Joana de Chantal recomenda que "não lhes prestemos atenção, fazendo o que for preciso para afastar nossa mente delas."

Seus métodos, não obstante enérgicos, devem refletir moderação. Esta moderação é crítica. Se nós reagirmos na presença das tentações, certamente diminuiremos nossa habilidade para resistir. Perder nossa calma diante de uma tentação, simplesmente aumenta nosso labirinto espiritual, permitindo que Satanás "pesque, como se fosse em águas turbulentas.

As estratégias para combater uma tentação específica dependem do tamanho e natureza da própria tentação.

Grandes tentações podem ser resistentes aos nossos esforços de simplesmente recusá-las. Na verdade elas podem perseguir-nos. Os remédios para lidar com este tipo da tentação incluem:
1. Unir-se a Cristo Crucificado.
2. Falar sobre isso com seu diretor espiritual, confessor ou amigo de confiança;
3. Resolver ser tão teimoso como determinado com a mesma tentação;
4. Acima de tudo não olhar para a tentação nem discutir com ela. Manter a sua atenção no Senhor.

As pequenas tentações podem faltar em qualidade, mas lhes sobra em quantidade. Assim como moscas pequenas ou os mosquitos zumbindo nos nossos ouvidos, picando no nariz ou nas bochechas, as tentações nos tiram a visão. Quer um conselho?

Pare de perder tempo examinando-as. Simplesmente espante-as praticando a virtude oposta.

Uma palavra de advertência. Na verdade as pequenas tentações podem ser mais perigosas para nossa saúde espiritual precisamente porque, elas são muito frequentes  e parecem tão insignificantes! Fiéis que estão tentando crescer na santidade podem resistir com êxito numa tentação só pelo fato de que as pequenas os deixaram esgotados e comprometidos com seus múltiplos e insidiosos assaltos.

Toda essa conversa de como resistir às tentações passa por alto a outra percepção importante da espiritualidade salesiana: as tentações realmente podem servir para nos lembrar de nossa necessidade  de crescer, de nossa necessidade daquilo que é bom e da nossa necessidade de Deus. São Francisco de Sales diz-nos que a experiência com a tentação pode "fazer-nos voltar à realidade, fazer-nos pensar sobre a nossa fraqueza, e ser a causa de que tenhamos que recorrer mais rapidamente" ao nosso Criador.
Quando fala a voz da tentação, afaste a vista de sua mente; cubra os ouvidos do seu coração. Busque o amor e a força  de Deus que o criou, que o remiu e que o inspira.

Acima de tudo, pratique uma vida de virtude. Não há melhor remédio contra a tentação do que estar de outro modo ocupado fazendo o trabalho do Senhor.

Para refletir:

1. Que tipo de tentações muitas vezes você enfrenta?
2. Quais as estratégias empregadas por você para resistir?
3. Que virtudes opostas você poderia praticar para fazer frente a essas tentações?
4. Você tem um diretor, confessor espiritual ou amigo que pode apoiar em seus esforços para resistir tentação e praticar a virtude?


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Reflexão salesiano para o IV Domingo de Páscoa - 21 de abril de 2013





























Dos escritos de São Francisco de Sales

No Evangelho de hoje nós experimentamos Jesus como o Bom Pastor que cuida de seu rebanho. São Francisco de Sales lembra-nos que também nós devemos ser bons pastores, cuja missão é assumir a cuidar do próprio rebanho:
Alguns dizem que os pastores representam todos aqueles que desejam alcançar a santidade. Mas, se cada um de nós é um Pastor, quem são nossas ovelhas? Nossas ovelhas são representadas em nossos desejos, em nossos sentimentos e em nossas emoções. Esse é o rebanho espiritual que devemos vigiar. Jesus nos ensina como gerenciar o nosso rebanho de desejos, sentimentos e emoções, e mantê-lo sob controle.
Assim como um pastor cuida de seus animais, o nosso Bom Pastor nos reúne todos ao seu redor para nos tornarmos parte de Si mesmo. Seu desejo é que nós controlemos nossas vidas à luz da vontade de Deus, ao invés de sermos dependentes de nossa teimosia e de nossas ambições. Em Jesus aprendemos a governar o nosso rebanho para redirecionar os desejos, sentimentos e emoções de modo que levem a saúde espiritual.
Certamente, o que mais agradaria ao Nosso Bom Pastor, seria o fato de lhe oferecermos a ovelha do nosso amor. O amor é o primeiro desejo do espírito humano. O verdadeiro amor é o que temos quando vivemos de acordo com as inspirações e impulsos que Deus semeia em nós.
Nosso Deus é o Deus do coração humano. Nossos corações estão sedentos de Deus. Todos nós temos uma tendência natural a querer conhecer e amar a Deus. Nenhum outro amor pode nos satisfazer mais do que a bondade infinita que Deus pode fazer. Somente através Dele é que conseguiremos o nosso sustento para sempre.
Santo Agostinho dizia: "Ame a Deus. E faça o que quiser." Quando conseguirmos que todos os nossos amores fluam do amor de Deus, então poderemos realmente dizer que nós amamos. Quão felizes nós seremos se continuarmos sempre na presença de Nosso Bom Pastor, e se nos dedicarmos a imitar fielmente o seu exemplo! Então, serviremos Deus da maneira como Ele quer que façamos, e seremos bons pastores, tanto para nós mesmos como para os outros.
(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales)

Destaque: "Conversando com eles, os dois insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus."

Perspectiva Salesiana

O conselho de Paulo e de Barnabé à Igreja de Antioquia, de permanecerem fiéis à graça de Deus, foi o conselho sensato para os novos crentes que estavam vivendo no meio de turbulência religiosa. Mas o que significou esta piedosa exortação para aqueles que ouviram e o que significa para nós hoje em dia, em nossos esforços para manter essas palavras da Escritura em um plano importante em nossas vidas?
É um apelo à humildade e à mansidão Salesiana.
Paulo lembra que os cristãos são chamados a serem fiéis, não perfeitos. Viver na verdade, respeitando quem somos, lembra que precisamos constantemente da misericórdia e do perdão de Deus. Ninguém é perfeito. Nós cometemos erros e precisamos ser gentis quando perdoamos, e não pedir desculpas pelas coisas que não fizemos. A perfeição não permite erros. A fidelidade não permite que sejamos conquistados por eles.
Assume um relacionamento contínuo com Deus em primeiro lugar.
A nossa vida de oração é consistente e honesta? É difícil ser fiel a alguém com quem nunca se conversa.
Requer uma nova visão.
Permanecer fiel à graça de Deus nos chama a ver a vida, suas coisas e eventos como dons que nos foram dados gratuitamente por Deus que nos fortalece e que nos ama, que é para nós e que está sempre do nosso lado. Nosso Deus é um Pai amoroso, um Bom pastor que cuida de suas ovelhas e que se preocupa com a manutenção do bem-estar do rebanho em sua mente, constantemente.
Exige flexibilidade.
A graça, como um dom gratuito, não pode ser controlada. De Sales disse uma vez: Bem-aventurados são os corações flexíveis, porque eles nunca serão derrubados. Talvez possamos acrescentar: Bem-aventurados também são aqueles cuja fidelidade é flexível, porque a graça de Deus sempre estará com eles.
O ministério de Paulo e Barnabé descrito na primeira leitura de hoje mostra flexibilidade quando eles, depois de terem fracassado em seus esforços para pregar aos judeus, decidem ir para aos gentios, guiados pelo Espírito. Eles mostram mais interesse. Eles buscaram e viram a graça de Deus trabalhando, mesmo no meio da rejeição e do abuso. Numa escala mais humilde, mas não menos importante, somos chamados a exercer o mesmo tipo de flexibilidade quando pregamos sobre a graça de Deus e pelo modo como vivemos nossas vidas com paixão e precisão. Paulo e Barnabé estavam repletos da alegria do Espírito Santo. Nossa recompensa não pode ser menor. 

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor-geral do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

domingo, 14 de abril de 2013

Perspectivas Salesianas 12 - Decisões... Discernir a vontade de Deus


"O que Deus quer que eu faça?" Esta questão é simplesmente o coração do discernimento. Esta questão é também o coração da Tradição Salesiana.

O discernimento pressupõe pelo menos quatro coisas:
• Deus existe.
• Deus está perto de mim.
• Deus tem um plano ou desejo para mim.
• Eu posso conhecer a vontade de Deus.

A Tradição Salesiana descreve o discernimento como uma experiência vida entre as "duas vontades de Deus."

A vontade de Deus é manifestada, de modo geral, através dos seus Mandamentos e conselhos encontrados na Escritura; na autoridade e no ensinamento da Igreja; na tradição e na experiência vivida pelos fiéis cristãos; na inspiração do Espírito; nos deveres de cada um ou vocação na vida.

Por exemplo, se você é casado e está formando uma família, a vontade significada de Deus para você inclui essas coisas: viver uma vida virtuosa; honrar pai e mãe; guardando as festas; crendo que Cristo está verdadeiramente presente na Eucaristia; encorajando o relacionamento com seu cônjuge; educar seus filhos na fé; sendo um bom pai.

A vontade de Deus se expressa também através daquelas circunstâncias atuais da vida sobre as quais você não tem controle: você está a caminho de uma reunião importante e se desprende uma calota do pneu do carro; você está pronto para sair do escritório quando um colega de trabalho lhe pede ajuda; você está assistindo TV quando seu filho lhe pede para revisar sua tarefa. Tudo isso o convida a perguntar-se, "aqui, agora, neste momento, o que é importante?"

A vontade tolerante de Deus envolve aquelas coisas que você tem controle ou influência. É hoje o dia que você enfrenta o colega de trabalho depois de uma disputa prévia? Você aceita ou declina desta promoção? O que seus filhos precisam de você neste momento? Deve colocar seu pai num asilo para os idosos?

Onde é necessária mais atenção na relação entre você e seu cônjuge? Deveria ter tempo para realizar um trabalho voluntário? Como você deveria investir o seu dinheiro?

O discernimento é o processo de abrir-se ao convite da vontade indulgente Deus para viver corretamente a vontade significada de Deus e até exigida pelas circunstâncias, relacionamentos e os eventos nos quais você se encontra.

Dito de outra forma: o discernimento significa escolher como cumprir melhor a vontade, desejos e anseios de Deus para você hoje, agora, neste exato momento. O que é melhor?  Ou quais são as melhores maneiras de imitar o exemplo de Cristo neste momento particular, circunstância ou evento, sem se preocupar que seja um único caso? Como saber o que é melhor ou o melhor?

Desenvolver a habilidade de escutar. Desenvolver a capacidade de filtrar o “equilíbrio” externo ou interno da sua vida. Reconhecer que o mais urgente nem sempre é o mais importante. Dê-se conta, também, que as coisas mais importantes devem esperar, por vezes, pelas urgentes.

Concentre-se para escutar a voz de Deus que lhe fala através da sua família, amigos ou colegas de trabalho. Preste atenção às exigências e responsabilidades do seu estado e situação na vida, tanto do planejado como do inesperado. A oração pessoal, a leitura das Escrituras, a celebração da Eucaristia, a busca de ajuda de um diretor espiritual, e a prática do Sacramento da Reconciliação podem ajudá-lo a aguçar seu ouvido.

O discernimento nunca ocorre num vazio... Sempre tem lugar dentro do contexto das suas relações com Deus, consigo mesmo, com os outros e a ordem criada em que vives. Busque amigos de confiança que o possam apoiar em suas tentativas de fazer o que é correto aos olhos de Deus.

Tenha presente também sua história pessoal. Aprenda com seus sucessos e erros do passado.

Acima de tudo, sem se preocupar se é fácil ou difícil discernir a vontade Deus, ponha sua confiança na presença de Deus. Mesmo quando não pode ver, ouvir ou sentir a voz Deus, o Espírito está com você.

Peça a Deus a graça e a coragem para discernir com sabedoria... cada dia.

O discernimento deve levar-nos a escolha e a ação. Suas escolhas:

1. O ajudam a praticar a virtude?
2. O permitem ser fiel ao seu estado ou a sua situação de vida atual?
3. Aumentam a sua sensação de tranquilidade?
4. Aprofundam a sua experiência  de alegria?
5. Enriquece as vidas dos outros?
6. Respeita as necessidades dos outros?
7. O torna um bom ouvinte?
8. O ajuda a fazer o que é bom, certo, e direito aos olhos de Deus?
9. O ajuda a integrar com sucesso  as exigências e responsabilidades da sua vida?

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Reflexão Salesiana para o terceiro Domingo de Páscoa - 14 de abril de 2013


O evangelho de hoje mostra Jesus que está presente nos compromissos cotidianos. Na espiritualidade salesiana é inculcada, fortemente, a ideia de se viver o dia a dia, o momento presente com um dom de Deus. É no dia a dia que Deus mostra o seu amor para conosco. É no dia a dia que Ele nos salva. É no dia a dia que nós o amamos e demonstramos nosso amor através de atitudes concretas. Isto deve ter acontecido com Pedro. Jesus ressuscitado se encontra com ele, e no meio das suas atividades diárias faz uma pergunta crucial: tu me amas mais do que estes? 
O Evangelho de hoje diz que Pedro, no momento em que afirmou seu compromisso de amar a Jesus, recebeu o chamado para fortalecer o rebanho de Jesus. São Francisco de Sales exorta-nos a ser discípulos, tal como foram os Apóstolos, e levar a Palavra de Deus aos outros:
Jesus perguntou três vezes a Pedro se ele o amava. O amor de Pedro por seu mestre transbordou seu coração. Foi a providência de Deus que levantou Pedro novamente. O amor é o meio universal da nossa salvação. O amor de Deus deve sempre ocupar o lugar principal em nossos corações. Não vamos perder tempo. Entreguemo-nos completamente à Divina Providência. A mão de Deus é muito amorosa na gestão do nosso coração!
O que Deus pode esperar de nós, senão exatamente o que ele pediu aos Apóstolos? Não é nada diferente daquilo que nosso Senhor veio fazer neste mundo: dar a vida a todos, para que todos possam vivê-la em abundância. Ele o fez, dando-nos a Sua graça. A graça tem poder não para dominar, mas para convencer nossos corações e levá-los a concordar com os movimentos do amor de Deus em nós.
Sempre que possível, devemos tentar chegar ao coração dos outros, como fazem os anjos, com suma delicadeza e sem coação. Temos o dever de ajudar e dar amor a todas as pessoas indiscriminadamente, mas devemos fazê-lo, sobretudo, com aquelas que mais precisam de nós. Temos que orientá-las a levar uma vida mais perfeita. Elas conseguem a plenitude em suas vidas se tiverem fé na palavra de Jesus, que vocês se encarregam de explicar. Elas vão viver uma vida mais abundante, seguindo o exemplo que vocês dão a elas.
Avancem com confiança e cheios de coragem, e cumpram o trabalho que foi confiado. Nunca digam: "Eu não estou pronto para essa tarefa." Caminhem para frente sem se preocupar, sem olhar para trás. Deus irá revelar o que dizer e o que fazer no tempo certo. Preocupem-se somente com uma coisa: crescer no amor e na fidelidade a bondade divina. Assim tudo ficará bem.

(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales) 
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB