quinta-feira, 22 de agosto de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Perspectivas Salesianas 20 - Simplicidade de Intenções...
Dificilmente será um elogio chamar
alguém de "ingênuo" na linguagem comum. Nós usamos a palavra "ignorante"
como um insulto, indicando a inferioridade intelectual do objeto de nossa
crítica. O antônimo de "simples" deveria ser algo como "complexo".
Quanto mais sofisticada ou inteligente for a pessoa mais condições terá, em
relação à uma pessoa simples, para lidar com profissionalismo numa infinidade
de tarefas.
Nossa
cultura valoriza a produtividade, a tecnologia, os dispositivos e a eficiência.
Portanto, os sucessos mundanos exigem certa complexidade de habilidades e
competências. Por que, então acreditamos na espiritualidade Salesiana, que
professa um amor e aceitação do mundo como ele é, e continuamos afirmando que a
virtude da simplicidade é muito importante?
São
Francisco de Sales diz que a simplicidade ocupa uma posição de complexidade, mas
não nas áreas da inteligência ou da habilidade. A simplicidade é uma forma de motivação
ou intenção. Se a nossa motivação concentra-se ou é determinada (por exemplo,
não enrolada), então a nossa ação prova ser simples.
A espiritualidade
Salesiana diz que a nossa intenção para qualquer ação deve ser o amor de Deus e
o amor ao nosso próximo. O que comprarmos ou vendermos em nosso local de trabalho,
a quem amarmos ou como vivermos deveria ser sempre guiado pelo forte desejo de crescer
à imagem e semelhança de Deus e não por uma multiplicidade de razões difusas ou
confusas.
Muitas
pessoas parecem estar motivadas para amar a si mesmas, amar as coisas, o poder,
etc. e isto é demonstrado em suas ações. Ainda assim, não é razoável esperar que
alguém possa eliminar completamente seus motivos confusos: buscar os primeiros lugares
é certamente fácil para a maioria de nós.
Uma saudável
simplicidade espiritual se preocupa por purificar a intenção de nossas ações. Uma
boa pergunta que devemos fazer vez ou outra: "Por que faço o que estou
fazendo?". Note-se que não se faz nenhuma menção de sentimentos ou desejos,
apenas a intenção de agir. A consciência deliberada deste porque nos ajuda a
realizar atos virtuosos.
São
Francisco de Sales deu as Irmãs da Visitação uma ferramenta que ele herdou de
seus professores Jesuítas: o exame de consciência como uma "verificação
simples". Dedique alguns minutos várias vezes no dia para rever suas ações
e interações e, desta maneira, pergunte-se se seu objetivo foi ou não, o amor a
Deus e ao seu próximo. Santa Joana de Chantal diz que se isso foi observado,
produzirá uma simplicidade pura que nos tornará calorosos e amigáveis com
todos.
O grande
dom da simplicidade é a clareza com que você vê a vida. As pessoas simples têm
uma base forte de fé que ajuda a tomar decisões: "Por essa ação mostro o
meu amor a Deus?"
Nisto
eles conseguem o poder e a promessa de realizar mesmo o mais comum e as ações
aparentemente insignificantes da civilidade, gentileza e caridade. Resumindo, a
simplicidade é como ter uma navalha afiada de conhecimento não só daquilo que
alguém realiza, mas do porque está fazendo.
Oh,
santa simplicidade! Nós aceitamos de bom grado a ignomínia e o poder de sermos
pessoas simples num mundo complexo. O que fazemos é ampliar ou diminuir o que
fazemos. Lembre-se: "Bem-aventurados os puros de coração, porque eles
verão a Deus..." no mundo, no deles mesmos e no dos outros.
Para refletir
1. Por que eu faço o que eu sou está fazendo?
2. Quando, durante o dia tomo alguns minutos para
fazer uma "simples verificação" das minhas ações?
3. O amor de Deus é uma motivação para minhas ações
e decisões? ou é algo mais?
4. Como minha vida poderia se beneficiar ao
simplificar minhas motivações?
5. A conversa é outra maneira de praticar a
simplicidade. Sou sincero e honesto quando falo com os outros?
6. Existem coisas na minha vida que substituem a
minha necessidade de Deus? Como poderia simplificar minha vida concreta?
Para rezar:
“Meu Deus, eu te entrego esta ação. Concede-me a
graça de realizá-la da melhor maneira possível aos teus olhos. Desde já te
ofereço todo bem que eu possa fazer. Que eu aceite qualquer dificuldade que possa
encontrar no meu caminho.”
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Domingo da Assunção da Virgem Maria - 18 de agosto de 2013
Perspectiva Salesiana
Nossa reflexão
salesiana para este domingo, festa da Assunção, foi tirada em sua totalidade do
Tratado do Amor de Deus, Livro 7, capítulo 14, de São Francisco de Sales.
"Eu não
afirmo, Teótimo, que na alma da Virgem Santíssima não houvesse duas correntes
e, por consequência, dois desejos: um conforme ao espírito e à razão superior,
outro, segundo os sentidos e a razão inferior, de modo que podia sentir
repugnâncias e oposições entre os dois; o mesmo se deu até em Nosso Senhor, seu
divino Filho. Mas e que eu digo é que nesta Mãe celeste, todos os afetos
estavam tão bem dispostos e ordenados que o divino amor exercia nela o seu
império e domínio com toda a suavidade, sem que a perturbassem desencontrados
desejos e apetites, nem oposições de sentimentos. Nem as revoltas do apetite
natural, nem os movimentos dos sentidos atingiram jamais em Maria o caráter de
pecado venial que fosse; pelo contrário, tudo redundava santa e fielmente em
serviço do amor divino pelo exercício de outras virtudes, cuja prática,
ordinariamente, é para nós cheia de dificuldades, repugnâncias e
contradições".
"O ímã,
como toda a gente sabe, atrai a si o ferro, em virtude duma propriedade que
tem, digna de admiração; no entanto há cinco coisas que impedem essa operação:
1ª - a grande distância; 2ª - se se interpuser um diamante; 3ª - se o ferro
estiver engordurado; 4ª - se o esfregarem com alho; 5ª - se o ferro estiver
muito pesado".
"Ora o
nosso coração foi feito para Deus, que o acarinha de contínuo e não deixa de derramar
nele os atrativos do seu celeste amor; mas cinco coisas impedem também que se
efetue esta atração: 1ª - o pecado, que nos afasta de Deus; 2ª - o amor às
riquezas; 3ª - os prazeres sensuais; 4ª - o orgulho e a vaidade; 5ª - o amor
próprio, com todo o seu cortejo de paixões desenfreadas e que em nós atingem um
peso esmagador".
"Ora,
nenhum destes impedimentos pôde jamais ter lugar no coração da Santíssima Virgem:
1º - sempre preservada de todo o pecado; 2º - sempre pobre no seu coração; 3º
sempre puríssima; 4º - sempre humilde; 56º - sempre dominadora de todas as
paixões e isenta de rebelião que o amor próprio opõe ao amor de Deus. É por
isso que, assim como o ferro, desembaraçado de todos os obstáculos e aliviado
do próprio peso, seria atraido forte mas docemente para o imã, de modo que a
atração seria tanto mais forte quanto mais perto se encontrassem um do outro,
assim também a Mãe Santíssima, não tendo em si nada que obstasse à operação do
divino amor do seu Filho, unia-se a Ele numa união incomparável em doces,
suaves e naturais êxtases. Nestas a parte sensível deixava de ter o seu
quinhão, sem, contudo, prejudicar a união do espírito; nem a aplicação do seu
espírito provocava grande desvio dos sentidos."
"Foi pois,
a morte da Virgem a mais doce que pode imaginar-se; atraída por Jesus com o
suave aroma de seus perfumes, lançou-se amorosamente, enlevada na fragrância
suavíssima desses aromas, no seio da bondade do seu Filho. E posto que esta
santa alma amasse com extremos de ternura o seu santíssimo, puríssimo e
amabilíssimo corpo, deixou-o todavia sem custo nem resistência alguma... o amor
dera aos pés da cruz a esta divina esposa as supremas dores da morte; justo era
que no fim de sua existência lhe concedesse as soberanas delícias do
amor."
Padre Michael
S. Murray, OSFS é diretor sênior da De Sales Centro de
Espiritualidade.
Tradução: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB
DOS ESCRITOS DE SÃO FRANCISCO DE SALES
15 de agosto
marca a celebração da festa da Assunção de Maria, o momento em que ela é elevada
às alturas. São Francisco de Sales observa que, com sua sinceridade e sua plena
confiança na vontade de Deus, Maria contribuiu para mudar a face da terra:
... Como o amor
de uma mãe é, de todos os tipos de amor, o mais intenso porque ele é um amor
incansável e insaciável, como foi no coração de uma mãe como ela, no coração de
um filho como ele? (TLG 03:08 183)
... Mesmo esta
Virgem santa sucumbiu ao sono... sim... esta celeste Rainha nunca dormia, exceto
por amor. Ela permitiu que seu corpo sagrado descansasse, apenas para
recuperar suas forças e poder servir melhor a Deus. Este é, sem dúvida, um
ato sublime da caridade. Como disse o grande Santo Agostinho, "a
caridade impõe a obrigação de amar os nossos corpos adequadamente, uma vez que
estes são essenciais para a realização de boas obras, fazem parte do nosso ser,
e também compartilharão a felicidade eterna. Certamente, o cristão deve
amar seu corpo como a imagem da encarnação do Salvador, já que nós somos descendentes
de uma mesma linhagem, e, consequentemente, pertencemos a ele no parentesco e
sangue. (TLG 03:08 183)
Quanto à
Santíssima Virgem, por Deus! Com que devoção deve ter amado seu corpo virginal,
não só porque o corpo era gentil, humilde, puro, obediente ao amor sagrado,
porque era totalmente ungido de mil maneiras sagradas com um bálsamo perfumado,
mas também porque era a fonte da vida do corpo do nosso Salvador, e pertencia a
ele da forma mais estrita e com uma intimidade incomparável. Por esta
razão, quando ela deu a seu corpo angelical um descanso, através do sono, costumava
dizer: "Descanse agora, Arca da Aliança, veleiro da santidade, o trono do
Altíssimo. Descansar por um pouco e, assim, suave e silenciosamente, mais
uma vez recuperou a sua força."( 03:08 TLG 184)
Que conversas teve
com seu filho amado! Que doce recompensa terá recebido em todos os
sentidos! (TLG 185 03:08)
Por que deveríamos
admirá-la, exceto ela, por quem e para quem Deus deu mais graça do que deu, e
nunca dará ao resto de suas criaturas? (03:08, 185)
Quando nossa
mente se eleva acima da luz natural da razão, e começa a vislumbrar a verdade
sagrada da fé.... Que alegria resulta! A alma se derrete com prazer ao
ouvir a voz do esposo celeste, já que o encontra mais doce que o mel e
delicioso de todas as ciências humanas. Deus deixou a sua marca, os sinais
da sua passagem, as suas pegadas, plasmadas em tudo o que foi criado. É
por isso que se basearmos nossa compreensão da majestade divina no que podemos
ver através das criaturas, parece que só podemos vislumbrar seus pés. Em
comparação, se observarmos por meio da fé, vamos ver a própria face da
majestade divina. (TLG 03:09, 187)
Purifiquemos todas
as nossas intenções tanto quanto pudermos. Consideremos todos os motivos
possíveis para o quais devemos realizar o trabalho confiado a nós, para que
possamos escolher como um amor sagrado o amor mais excelente de todos. Irriguemos
todos os outros amores com o amor sagrado, para que possamos transformá-los e que
se convertam em motivos dispostos, aprovados, amados e queridos por Deus (TLG
11:14, 237).
... Certamente
no momento da Assunção da Santa Mãe, o Salvador e todos os anjos se alegraram...
e esta não foi, por acaso a mais bela e magnífica de todas as chegadas que o
céu já viu, superada apenas pelo de seu Filho? Ela vem do deserto como uma
coluna de fumaça, carregada de mirra, incenso, levando o perfume exótico de
cada partícula (Fiorelli, Sermões 2:16).
Devem saber
que, no que diz respeito às boas obras, nesta vida ninguém começou a trabalhar
com elas tão cedo, nem perseverou tão diligentemente, como o fez Nossa Senhora. Nós
demoramos muito, e até mesmo, se fizermos boas obras muitas vezes as desperdiçamos
por causa do pecado e da nossa inconsistência. É por isso que a soma de
nossa boa quantidade de nossas boas obras não sobe muito... e se por meio da penitência
retornamos a graça, não percebemos que podemos gerenciar nossos assuntos de uma
forma ruim, pois perdemos muito tempo (Sermões 2:17).
O pecado venial
mancha nossas obras, retarda nosso progresso e impede o nosso progresso. Só
nossa santa senhora estava cheia de graça, desde a concepção (Sermões,
02:17)
... O prazer a
transborda, como neste mundo tinha sido tão rica em boas obras e trabalhos! Foi
elevada à mais alta glória dos santos (Sermões, 02:17)
... Deus,
através da Sua Divina Providência, com a determinação de estabelecer o mundo
espiritual da sua Igreja, colocou sobre esta, como abóboda divina do Céu, dois
grandes luminares: uma luz muito brilhante, a outra mais suave. A mais
brilhante é o Seu Filho Jesus Cristo... a fonte de toda a glória, o verdadeiro
Sol de Justiça. A luz mais tênue é a Santa Mãe de seu grande filho...
(Sermões, 02:02)
... Ele
iluminou o povo da Igreja com a luz de seus milagres, com seu exemplo, seus ensinamentos
e suas santas palavras!... (Sermões 02:03)
As cegonhas demonstram
uma devoção filial por seus pais e mães. Quando os pais envelhecem... e com
a dureza das estações e do tempo, são forçados a migrar para buscar refúgio em
um lugar mais quente, os jovens levam seus pais, assumindo suas cargas, para,
de alguma forma possam corresponder aos benefícios recebidos deles durante a
reprodução. Nosso Senhor teve o seu corpo do corpo de sua Mãe. Ela o levou
por muito tempo em seu ventre sagrado e em seus castos braços... Senhor, Tu
ordenastes que os filhos ajudassem os pais na velhice. Esta lei está tão arraigada
na natureza que até as cegonhas a cumprem... Que filho, se possível, não elevaria
sua mãe para o paraíso após a morte? A Mãe de Deus morreu por amor, e o
amor de seu Filho a ressuscitou.
... Devemos limpar
nossas obras e nossos afetos para poder purificá-los, moldá-los e ajustá-los de
acordo com a lei do Evangelho. Se fizermos isso, não podemos comprometer-nos
com obrigações nem sacrifícios, e muito menos podemos ser salvos a menos que
acreditemos [Mlk16: 16] na doutrina cristã, e que nos eduquemos de acordo com
ela. É assim que aprendemos quais são coisas que devemos crer, o que
devemos pedir e o que podemos esperar (Sermões 2: 18).
Toda a sua
perfeição, todas as suas virtudes, toda a sua felicidade, são referência, consagradas
e dedicadas a glória de Seu Filho, que é sua fonte, seu autor, que deu os
toques finais [Heb 0:02 Douay.].... Tudo volta a este ponto (Sermões 2:
18).
Ao invés disso,
a honra concedida a Mãe, em referência ao Filho, faz com que a glória da Sua
Misericórdia seja magnífica e ilustre (Sermões 2:190).
Certamente
chegará um dia em que ressuscitaremos dos mortos, e esses corpos mortais que temos
agora, sujeitos à corrupção, serão imortais [1Co 15:51-54.], completamente espirituais,
e reconstruídos como o de Nosso Senhor [Phil.3: 21]. (Sermões 2:119)
O Filho, que ao
chegar ao mundo recebeu Seu corpo e Sua carne de sua Mãe, não queria que Ela
ficasse aqui embaixo, nem no corpo ou na alma. Pouco tempo depois que ela pagou
a sentença universal da morte, Ele mesmo se encarregou de levá-la para o reino
de seu santo Paraíso. A Igreja é testemunha deste fato e o chama de festa da "Assunção",
e baseia-se na mesma tradição pela qual se assegura a igreja sobre a morte de Maria
e sua ressurreição (Sermões, 2:15).
Nosso Senhor
recebeu Seu corpo do corpo de sua mãe. Ela o levou por muito tempo em seu ventre
sagrado, e o levou em seus castos braços, quando, por causa da perseguição, foi
necessário migrar para o Egito (Sermões 2:15).
(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco
de Sales)
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Perspectivas Salesianas 19 - Ganhar e ganhar...uma proposta de vida
Stephen R.
Covey em seu livro Nacional best-seller (Sete Hábitos das Pessoas Altamente
Eficazes) lembra-nos: "Se você é presidente ou porteiro, no momento que
der o passo da independência para a interdependência, seja do tamanho que for,
estará pisando numa área de liderança e o modo da liderança eficaz é:
"ganhar-ganhar."
O autor sugere
que este marco não é uma técnica, mas um modo de vida que constantemente busca o
benefício mútuo em todas as interações humanas.
Para muitos na
nossa cultura contemporânea, esta abordagem é uma filosofia difícil de ser acreditada.
A maioria das pessoas tende a pensar em termos de um mundo dividido em dois grupos:
vencedores e vencidos, ricos e pobres. Numa frase vista recentemente num
para-choque e dirigido justamente à família se lê: "Se não podes correr
com os cães grandes, é melhor ficar na varanda". A Humanidade desde Caim e
Abel parece que traduziu o conceito de 'relações' em termos de 'aceito' e
'rejeito', por exemplo: vencedores e perdedores.
O trabalho
espiritual não é isento de luta. Basta dar uma olhada nos comensais ao redor da
mesa da Páscoa. Na noite em que Jesus se deu aos seus discípulos como Pão da
Vida e Cálice da salvação, os apóstolos, antes que fossem interrompidos bruscamente
pelo Senhor, estavam discutindo quem era o melhor entre eles. Stephen Covey tem razão quando diz que o enfoque de ganhar e
perder na vida é, seriamente, imperfeito.
Na verdade,
quatro séculos antes, outro senhor muito perspicaz aconselhou: "Seja justo
em todas as suas ações, sempre se coloque no lugar do seu vizinho e coloque o seu
vizinho no seu. Então você poderá julgar de forma justa. Imagine que você é o
vendedor no momento da compra e o comprador quando você vende, e aí sim poderá
comprar e vender de modo justo".
O autor deste
sentimento, São Francisco de Sales em sua abordagem espiritual para a vida, lembra
que cada um de nós foi criado à imagem e semelhança de Deus e a medida do nosso
amor ao Criador reflete-se na perfeição do amor ao nosso próximo.
Alguns pensam
que tudo o que estiver fora do seu próprio interesse não é importante. O oposto
é verdadeiro. Não lutar por objetivos que beneficiem a todos, é olhar para o
segundo melhor lugar. Num mundo que está crescendo intensa e interdependentemente,
num ambiente onde declaramo-nos ser filhos de Deus, ganhar e ganhar é a única
opção viável.
Covey destaca
que nas relações (como por ex. o casamento) se as duas pessoas não estão ganhando,
então ambas estão perdendo. Na mesma linha, São Francisco nos adverte que um indivíduo
nunca está mais morto do que quando ele ou ela vivem só para si mesmos.
João Paulo II
desafiou em seus escritos sobre a solidariedade a abraçar uma atitude que incentive
uma firme determinação de comprometer-nos na realização do bem comum, porque realmente
somos responsáveis uns pelos outros. Ele nos desafia num sentido real a ganhar
e ganhar de verdade a vida e os relacionamentos. Jesus morreu para cada um dos
nós pudéssemos ganhar o céu.
De nossa parte,
façamos o melhor para tornar esta promessa uma realidade.
Para refletir:
1. Nos meus relacionamentos,
quantas vezes resolvo problemas ou faço sugestões que me colocam no plano de
vencedor e os outros como perdedores?
2. Vejo o meu próximo como Jesus?
3. Minhas atitudes com os outros
promovem uma atitude condescendente?
4. Dou autoridade aos outros
quando eu estou num trabalho conjunto?
5.Trabalhando e relacionando-me
com os outros, considero importante os conceitos de "cooperação","Reciprocidade",
"interdependência" e "trabalho em equipe" ou me considero
acima dos outros?
6. Considerando os projetos
futuros, aproveito a oportunidade de me conectar de tal modo que tragam a união
entre as pessoas e deem força à organização, comunidade ou grupo?
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Reflexão Salesiana para o 19º Domingo do Tempo Comum - 11 agosto de 2013
Destaque: "A fé é um modo de
já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se
veem."
Perspectiva Salesiana
Como seguidores
de Jesus, somos chamados a viver uma vida de fé. Cada dia, cada hora, cada
momento de nossas vidas deve ser cheia de oportunidades de fé para crescer no nosso
amor e em nossa compreensão de Deus, de nós mesmos e dos outros.
As leituras
deste domingo nos questionam: o que exatamente é a fé?
São Francisco
de Sales fez a distinção entre fé viva e fé morta: "Examinem seus
trabalhos e ações. Quando não existem sinais de vida, consideramos uma
pessoa como morta. As árvores no inverno parecem estar mortas, mas, no
tempo certo produzem folhas, flores e frutas. Da mesma forma, mesmo quando
a fé morta possa parecer estar viva, apenas esta última poderá dar frutos de fé
em todas as estações. A fé viva é excelente porque estando ligada ao amor
e sendo vivificada pelo amor, é forte, firme e constante."
As pessoas que
estão cheias de fé, sugere Francisco de Sales, estão vivendo uma vida vigilante,
forte, prudente e atenta ao aceitarem a verdade de que Deus é amor, que elas
foram criadas, redimidas e inspiradas no amor e que elas são chamadas a
partilhar esse amor para os outros. Pessoas que estão cheias de fé são pessoas
de ação, de coragem e de perseverança, sempre seguem em frente, mesmo em
relação às coisas que elas não podem ver.
Comparem esse
poder e esta promessa com a alternativa: a decisão de viver com medo.
As Escrituras de
hoje nos fazem pensar: o que é exatamente o medo? Medo: "estado afetivo
suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa
consciência; temor, ansiedade irracional ou fundamentada; receio; apreensão em
relação a (algo desagradável)". Assim define o dicionário Houaiss.
As pessoas que
vivem no medo não confiam na verdade de que Deus é amor. Não se atrevem a
acreditar que foram criadas e sustentadas por este amor. E mesmo assim, não se
arriscam a partilhar esse amor com os outros. As pessoas que vivem com
medo são pessoas que não agem, que estão sempre desanimadas e tímidas. Essas
pessoas sempre desejam poder dar volta e regressar. Elas têm medo de olhar para
frente. No sentido real, as pessoas medrosas estão mortas, desde já.
Não se enganem:
as pessoas de fé não estão imunes ao medo. Elas temem sua própria
infidelidade. Elas temem as suas próprias fraquezas. Elas temem seus próprios
pecados. Da mesma maneira, às vezes, elas temem as infidelidades, as fraquezas
e os pecados dos outros. Mas, no final, as pessoas de fé optam por não
viver no medo, mas para viver na verdade de quem é Deus, que Deus as chamou
para existir e o que Deus as desafia a ser na vida dos seus irmãos e
irmãs.
As pessoas de
fé são seres humanos que tentam ser plenamente humanas. Mesmo sabendo que
o medo faz parte da vida, as pessoas que tem fé sabem que existe muito mais na
vida - muito mais - do que o medo.
Padre Michael
S. Murray, OSFS - Diretor do Centro
de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB
Dos escritos de São Francisco de
Sales
As leituras de
hoje nos chamam a sermos fiéis servos de nosso Senhor. Este é um tema
recorrente nos escritos de São Francisco de Sales:
As Escrituras
nos dizem que devemos nos agarrar firmemente naquilo que temos. Ainda assim,
somos como os corais que facilmente se dobram pelo movimento das correntes
oceânicas. Como ainda vivemos no mar deste mundo, estamos propensos a nos
dobrar de um lado para o outro. De um lado para o amor divino, e do outro lado para
ceder à tentação dos bens que, embora vazios, parecem ser benéficos.
Estes supostos bens
são como as raposas encarregadas de destruir nossa vinha. Ao contrário, o amor
divino nos impele a fazer do nosso coração um lugar fértil, através das boas
obras. Portanto, devemos usar as nossas mentes na prática do amor sagrado,
de modo que estes bens pressupostos não exerçam sua influência real sobre
nós. A vontade de Deus não é nos proteger dos falsos bens. Ao
contrário, Ele deseja que pratiquemos plenamente o amor sagrado, resistindo a
tentação que eles representam. O que Ele quer é que, combatendo, obtenhamos
uma vitória, e que por meio de uma vitória obtenhamos o triunfo.
Sempre haverá
bens falsos, como a riqueza e as honras, que despertam a avareza em nós. Se
mantivermos nossa fé centrada na Palavra de Deus ela distinguirá entre os bens verdadeiros
para os quais trabalhamos, e os falsos que devemos rejeitar. Nossa fé nos
fará ativar um alarme diante da aparição de um falso bem, por mais atraente que
possa parecer. Imediatamente o amor divino recusará esta falsidade, porque
nossa fé nos permite ver as coisas que são verdadeiramente eternas.
Continuemos pertencendo
a Deus, mesmo em meio às muitas ocupações que envolvem a diversidade das coisas
terrenas com as quais temos de lidar. Que melhor oportunidade para dar testemunho
da nossa fidelidade nos momentos em que tudo dá errado? As dificuldades
nos oferecem a oportunidade de colocar em prática nossas virtudes e nossa
confiança em Deus, que deseja nos ajudar. Basta apenas pedir sua
ajuda. Quão felizes nós seremos se andarmos na vida e nos colocarmos nos
braços de Nosso Senhor apenas para andar e fazer todo o possível, para colocar
em prática as virtudes e as boas obras, sempre segurando nas mãos de nosso
Salvador!
(Adaptado a
partir dos escritos de São Francisco de Sales)
sábado, 3 de agosto de 2013
Reflexão Salesiana para o XVIII Domingo do Tempo Comum - 04 de agosto de 2013
Destaque: "Esforçai-vos por
alcançar as coisas do alto, onde está Cristo"
Perspectiva Salesiana
As leituras
bíblicas de hoje nos ajudam a refletir sobre como vivemos nossa vida de cristãos
batizados e discípulos missionários de Jesus.
São Paulo
nos lembra de que no nosso batismo nos foi dada uma parte da vida de Jesus. Somos
chamados a viver de uma nova forma nossa vida diária, uma forma que é
influenciada pela vida, morte e ressurreição de Jesus. Lembra que a vida é
um dom de Deus. A única coisa que dá sentido a nossa vida na terra é aspirar às
coisas celestes e não as terrestres, pois elas nos conduzem à vida eterna com
Deus.
Com esta ideia
na mente, podemos apreciar o ponto de vista do Eclesiastes na primeira leitura
de hoje: "Todas as coisas nesta vida são vaidade" - um simples sopro,
um vapor transitório e, finalmente, um vazio. Todo o trabalho duro e
preocupante que consiste muitas vezes em acumular coisas aqui na terra, um dia
passará e, como diz a leitura, será deixado em herança a outro que em nada
colaborou. Jesus lembra que a nossa vida
não consiste na abundância de bens.
Quando nos
encontrarmos com Deus ele não irá perguntar quanto acumulamos, mas o quanto
vivenciamos o amor. E a nossa vontade de amar decorre da nova vida que nos foi
dada no batismo. Se partilhamos a vida de Deus, seremos capazes de amar
como Deus ama. Se escolhermos viver e amar assim, viveremos diferente de
outros, cuja única preocupação neste mundo é ter tudo. Para viver e amar como
Deus, temos que aprender a disciplinar as nossas escolhas. A graça de Deus
irá nos levar a viver acima dos nossos maus desejos, e fazer morrer em nós a
imoralidade, impureza, paixão, cobiça e idolatria.
Que possamos nos
renovar dia a dia à imagem e semelhança do nosso Criador. Então, a nossa
vida diária vai nos ajudar a crescer como pessoas ricas aos olhos de Deus.
P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro
de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB
Dos escritos de
São Francisco de Sales
No Evangelho de
hoje, Jesus lembra como é ruim colocar nosso sucesso e nosso prazer no bens
materiais, tornando-os prioridades em nossas vidas.
São Francisco
de Sales nos ensina a redirecionar essas emoções, para que "possamos
enriquecer-nos com as coisas que realmente importam para Deus":
Às vezes parece
que nunca temos o suficiente para satisfazer nossos desejos. Inclusive,
estando conscientes de que as riquezas e posses terrenas só representam
tentações poderosas que gradualmente vão dilapidando nosso coração, se nos
apegarmos excessivamente a elas. Além disso, esgotamos nossa energia para
poder preservar e aumentar o nosso capital e nossos bens materiais. Mesmo
assim, quero incutir em seus corações a riqueza juntamente com a
pobreza. Tome cuidado ao aumentar sua riqueza e recursos, mas faça de modo
justo, adequado e com caridade.
Nada nos fará
prosperar mais nesta vida do que dar esmolas aos pobres. Deus nos recompensará,
não só no outro mundo, mas também neste. Nossos bens não são nossos. Eles
são um presente de Deus, que deseja que os cultivemos e que tornemos produtivos
e rentáveis para o reino de Deus entre nós.
Quando nós
trabalhamos para ter um lucro na terra, devemos nos reger pelo amor pacífico de
Deus, calmamente, afavelmente e agradavelmente. Este ato gentil e simples leva
ao amor divino. O amor divino nunca irá dizer que muito já é suficiente. O
amor sagrado deseja ter a coragem para fazer progressos no caminho da
verdadeira felicidade. Vocês podem possuir riquezas materiais sem se envenenar
com elas se deixarem em suas casas as
suas carteiras, e não seus corações. É desta forma que viveremos com humildade
espiritual no meio da riqueza. Concluindo, em vez de se deixar cativar por
bens materiais, deixe que seu espírito humano, que está caminhando para o céu,
migre para a bondade de Deus que cura e dá sabedoria ao coração humano quando
se abre para receber o amor divino.
(Adaptado a
partir dos escritos de São Francisco de Sales)
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