terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dia a dia com São Francisco de Sales


No dia 14 de setembro de 1594 Francisco de Sales e seu primo Luís de Sales partiram do Castelo de Sales como missionários para o Chablais. Levavam apenas a Bíblia, o livro da liturgia das Horas e o livro das "Controvérsias" do Padre Bellarmino. Foram a pé e sem nenhum recurso, pois o pai de Francisco tinha proibido ajudar seu filho, para que ele desistisse da missão.
Mais tarde, Francisco dirá numa carta: "Tudo o que se faz por amor, é amor. Cansaço e até a morte, aceitos por amor, não é outra coisa que amor! Hoje é o dia da Santa Cruz. Que lindo e digno do nosso amor! Foi um trabalho duro erguer o lenho e plantá-lo no Calvário, mas que felizes são os que amam a cruz e a carregam generosamente. Ela aparecerá em toda a sua glória no céu, quando nosso Senhor Jesus Cristo vier para julgar os vivos e os mortos para ensinar-nos que o céu é o altar dos crucificados. Por isso, queiramos bem as cruzes que encontrarmos em nosso caminho." (Cartas 713)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

24 Domingo do Tempo Comum - 12 de setembro de 2010


As leituras de hoje nos lembram do desejo de Deus que, motivado pelo seu grande amor, vai nos buscar quando nos extraviamos. Aqui estão algumas reflexões feitas por S. Francisco de Sales sobre o amor misericordioso de Deus:

O vinho que encanta e fortalece o coração representa toda a alegria e os prazeres terrestres. Por outro lado, o amor de Deus possui uma força e um poder incomparável sobre todos os prazeres terrenos para restaurar e revigorar o coração humano. Somente o amor divino é capaz satisfazer de felicidade perfeita o coração humano. Nosso Divino Amante não se contenta apenas em proclamar publicamente o seu desejo intenso de ser amado. Nosso Salvador vai de porta em porta, batendo, repreendendo e, proclamando: Retorne a mim e viva!  Eu vos tenho amado com um amor que é eterno.

Nosso Salvador não cessa de nos mostrar que a Sua misericórdia está acima de todas as suas obras, mesmo quando nos afastamos demais do caminho do amor de Deus. Quando o Senhor vê uma alma mergulhada no mal, corre em seu auxílio. Ao acolhermos o amor de Deus que vem nos salvar da nossa miséria, somos como plantas quase murchas e debilitadas pelo inverno, mas que agora crescem verdes e vigorosas. Então, nós recuperamos nossas forças e a nossa vida, graças ao "vinho" do amor celestial que alegra o coração humano. Deus em Sua infinita misericórdia deseja que todos alcancem a vida eterna e que ninguém pereça.

Mesmo assim, todos nós mantemos um ou dois amores falsos.  Estes amores nos afastam da nossa inclinação natural para amar a Deus. Mas, se formos fiéis a esta inclinação, a misericórdia de Deus nos ajudará a progredir no amor sagrado. Então, coloquemos na presença de Deus todos estes amores desordenados que possuímos e permitamos que Ele nos transforme completamente. Tentemos manter seu desejo firmemente enraizado no desejo de encontrar o bem que Deus nos mostrou, e assim, nosso Senhor nos ajudará a progredir no exercício do amor divino.  Deus dispôs que a cura supere sempre a doença. A Divina Providência mais de uma vez fez com que dois pedaços retorcidos de madeira se transformassem em obras de arte.

(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales)

Destaque: “E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo.”

Perspectiva Salesiana

As leituras bíblicas do dia de hoje expressam fortemente suas opiniões ao descrever o grupo de pecadores entristecidos.  O povo a quem Deus derramou seu amor preferencial tornou-se “depravado e de cabeça dura,” deixando de adorar o único Deus verdadeiro para adorar um bezerro de metal. Diante da fraca criação de suas próprias mãos, eles se curvam em adoração e em sacrifício.

O autor do Salmo 51 admite sua culpa e seu pecado perante um Deus de bondade e de compaixão. São Paulo fala abertamente sobre a maneira como ele era e como ele viveu a sua vida antes de acreditar em Jesus. Ele foi, admite candidamente, um blasfemo, perseguidor do povo santo de Deus. Sua arrogância espiritual não tinha paralelo. Finalmente, o Evangelho narra a história familiar de um filho pródigo que desperdiçou sua herança numa vida despreocupada e dissoluta, e no desenrolar, fere o coração de seu pai.

Qual é o propósito desta ladainha do pecado, da culpa, da fraqueza humana e da falha? Este é o lado obscuro da boa notícia do evangelho, o fundo sombrio contra o qual a beleza e a graça esplendorosa da obra redentora de Jesus brilham com todo o seu esplendor. É o reconhecimento humilde de nossa total falta de poder e perda, como resultado de ter pecado contra um Deus bom e compassivo. Esta humildade, esta verdade sobre nós mesmos, é a condição necessária para poder ouvir o chamado às boas novas da fé e para receber em gratidão o poder da graça da cura.

Hoje em dia evitamos falar de pecados, especialmente do pecado pessoal. Nós não gostamos de reconhecer que rejeitamos a Deus ou que nos afastamos do caminho que ele nos indicou na Escritura, nos exemplos e palavras de Jesus e nos ensinamentos da Igreja. E ainda assim, é este reconhecimento, com humildade e verdade, que nos prepara para uma experiência libertadora da doce graça e do perdão de Deus.

Os santos são pecadores convertidos. Isto é o que as Escrituras proclamam hoje em voz alta e clara. A graça penetra nos fracos, penetra inclusive nos pecadores mais duros e os transforma em heróis e santos.

São Francisco de Sales tinha um grande respeito pelo exemplo dos santos, mas queria que as pessoas vissem os santos de uma forma realista, ou seja, como pessoas fracas e pecadoras que através do poder transformador da graça, tornaram-se heróis. São Pedro foi um herói para Francisco. Ele sentiu-se cativado por este homem. Em muitos aspectos Pedro foi um herói e sempre teve boas intenções, mas em outros teve falta de coragem ( "Eu não conheço o homem ") ou foi fraco na tentativa de compreender a quem Jesus realmente defendia ("Afasta-te de mim , Satanás"), e a quem mais uma vez traiu. Ainda assim, este homem se tornou um gigante pela graça! Em São Pedro, Francisco Sales descobriu que era útil para a espiritualidade, falar de um homem que cometeu pecados, com os quais outras pessoas poderiam se identificar, e também falar sobre um santo cuja santidade poderiam imitar. Seu herói tinha verrugas. Ao mostrá-las, ele estava, com efeito, animando a outros na busca da santidade.

Finalmente falemos do hino de louvor exuberante de São Paulo na segunda leitura. Isto marca o triunfo da graça sobre o pecado e a fraqueza humana, "Ao rei dos séculos, ao único Deus, imortal e invisível, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!".

Padre Michael S. Murray, OSFS é o Diretor do Centro Espiritual de Sales. 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dia a dia com São Francisco de Sales



O dia 8 de setembro de 1597 marca o início das “Quarentas horas do Santíssimo Sacramento” que aconteceu na igreja de Nossa Senhora em Annemasse. Este local era próximo a Genebra e Francisco de Sales fez neste dia uma pregação magnífica sobre a Eucaristia.
Hoje também celebramos a data do nascimento de Maria e sabemos que Francisco de Sales tinha uma grande devoção para com esta festa de Maria, comprovado nos seus sermões e cartas. Veja o que ele escreveu sobre Maria, na carta 308: “Ó meu Deus, quando vamos ter a graça de ter presente no nosso coração a Santíssima Virgem? Quanto a mim reconheço ser indigno deste favor, e certamente você pensa o mesmo sobre si. Mas o Filho Divino nasceu num presépio. Ânimo, portanto! Preparemos um lugar para Maria. Ela só gosta de lugares humildes e de simplicidade completa, no entanto de ampla caridade. Ela fica muito satisfeita de estar perto de um presépio, vendo-se obrigada a ir ao exílio no Egito, longe de todo conforto, enquanto tivesse o seu Filho consigo.”

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Francisco em Pádua - 1588-1592 (1)





Depois de seus estudos em Paris, volta para sua casa. Seu pai quer que se doutore em direito na Universidade de Pádua. Ali é matriculado em novembro de 1588. Cidade da arte e da ciência. Cidade do “Santo” (Antônio) Impôs-se 8 horas diárias de estudo: 4 horas para o estudo do direito, obedecendo a seu pai e 4 horas estudando teologia. A guisa de passatempo estudou botânica e até medicina.
Durante três anos se impregnou com o direito justiniano.
Em teologia colocou-se sob a direção do P. Antonio Possevin (1534-1611) – jesuita, humanista, educador e teólogo – compôs a obra “Biblioteca selecta de ratione studiorum (1593).  O tema central de seus estudos teológicos foi a “Graça”. ( a graça e seus socorros, a graça e a predestinação;  predestinação e a reprovação.)

Irá desenvolver uma “espiritualidade salesiana”: não omite o termo “indispensável.” Não vai ao Tabor da alegria cristã ao triunfo da Páscoa sem passar pelo calvário. Francisco de Sales sabe que Deus nos espera a todos no momento da agonia e é ai que nos defrontamos com o Absoluto e onde nosso destino eterno é decidido.



Nesta época lê o livro “Combate espiritual” escrito em 1589 por D. Lorenzo Scupoli.  Nele encontra sua finalidade precisamente definida e seu caminho exatamente determinado. Lê: “a perfeição não consiste nas práticas exteriores, na religião formal, mas em total desapropriação de nossa vontade e resignação à de Deus, submetendo-nos não apenas a Ele, mas a toda criatura por seu amor e isto unicamente para seu beneplácito, porque Ele assim o quer e porque Ele merece ser servido e amado” (Ch I)

O objetivo do amor é agradar a Deus por uma submissão absoluta de amor. Tal é a regra de ouro da santidade salesiana. A submissão ao beneplácito divino unicamente liberta; a revolta nos une ao nosso tormento. Aqui começam o céu e o inferno!



No final de 1590 ou começo de 1591 elabora um “Regulamento de vida”, de acordo com seu diretor espiritual, P. Antonio Possevin. Resumidamente é assim:
  1. Exercício da preparação – “Fá-lo-ei ao menos uma vez por dia: a saber, de manhã; consiste num exame de previdência, feito na presença de Deus, daquilo que se prevê advenha durante o dia.”
  2. Depois escreve 7 artigos para bem passar o dia. “De manhã, logo ao despertar, darei graças a Deus... Depois, pensarei em algum sagrado mistério... Não faltarei de assistir todos os dias a Santa Missa”... O terceiro  destes artigos é original: “Como o corpo tem necessidade de entregar-se ao sono para descansar e repousar os membros lassos, assim também é necessário que a alma disponha de algum tempo para dormitar e descansar entre os braços do celeste Esposo, a fim de por este meio restaurar as forças e o vigor das potências espirituais: portanto, destinarei todos os dias tempos determinados para esse sagrado sono, para que minha alma, à imitação do discípulo bem-amado, durma em toda segurança sobre o amável peito, isto é, no coração amoroso do amoroso Salvador.” 

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Reflexão Salesiana para o 23º Domingo do Tempo Comum - 05 de setembro de 2010


O Evangelho de hoje nos recorda que, se realmente valorizamos o fato de sermos discípulos de Jesus, devemos ser decididos, e nossa mente deve estar focada apenas em relação às coisas que nos levam ao caminho do amor a Deus e do amor aos nossos semelhantes. São Francisco de Sales diz que este trabalho requer uma reorientação de nossos afetos:

O amante verdadeiro não se deleita com quase nenhuma outra coisa que não seja o objeto do seu amor. Assim acontece com nossas amizades que não boas e excelentes. Estas amizades são inteiramente para Deus e de Deus. O amor e a amizade que temos para com Deus vai durar toda a eternidade, já que a sua ligação, que é sólida e permanente, é o amor divino.

Como resultado do nosso desejo de amar a Deus acima de todas as coisas, pouco a pouco vamos nos desprendendo de todos os afetos que são insignificantes, que não têm nenhum valor diante Dele, pois não há garantia de que vai durar para sempre. Além disso, sentir amor pelas coisas e amizades cujo núcleo não é o amor de Deus, só nos levam a um caminho vazio. Contudo, não podemos ficar muito tempo privados de qualquer tipo de afeto. Devemos aceitar os sentimentos que são dignos de nosso serviço ao amor de Deus. Se nos despojamos do nosso antigo amor por nossos pais, nosso país, nossa casa, nossos amigos e as coisas, temos que reiniciar o carinho por eles, mas uma nova maneira. Este afeto que sentiremos agora, não será para nosso próprio benefício, mas fará parte do nosso serviço para a glória de Deus.

O pescador tece uma rede forte e bem amarrada, para que ele possa flutuar sobre as ondas. Estando em seus ninhos, as aves são donas do oceano. Da mesma forma, mesmo que existam coisas transitórias que rodeiam nossos corações mantenhamo-nos sempre à tona, acima de tudo, para que assim possamos presidi-los. Nossos corações só devem estar abertos para o céu. Uma vez que deixamos tudo pelo amor de Deus, adquirimos a liberdade para pôr em prática as virtudes, de acordo com o amor divino. Amemos, pois a nossos queridos amigos, amemos nossas relações e nossas coisas, mas somente por meio do amor e amizade sagrada, que durará para a eternidade.

(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales )


Destaque

“Com efeito, qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?”

Perspectiva Salesiana

A vida pode ser tão frustrante, por vezes, sem torná-la pior, porque não tivemos a capacidade de olhar para frente. Quantas vezes tivemos que voltar para casa porque não fizemos a lista daquilo que precisávamos comprar? Quantas vezes corremos, no mesmo dia, até as lojas de material de construção porque simplesmente não gastamos tempo para considerar em primeiro lugar todos os materiais que tínhamos necessidade para realizar um projeto?  Quantas férias ou quantas viagens foram infelizes porque não sentamos para considerar todas as coisas que deveríamos ter levado conosco?

Qualquer coisa que vale a pena ser feita, não importa quão simples ou complexa, vale a pena fazê-la bem. E o primeiro passo para fazer algo bem feito, é planejar com antecedência.

Nós escutamos com clareza os ecos desta verdade na parábola do Evangelho de Lucas. Jesus chama a atenção de sua plateia dizendo que a primeira coisa que se deve fazer é determinar o que será necessário para realizar uma tarefa importante, antes de começar a trabalhar. Por seu lado, São Francisco de Sales recomenda: "Seja cuidadoso e atento a todas as questões que lhe são confiadas por Deus. Como Deus as confiou a você, Deus quer que você coloque nelas muita atenção.”

Claro, sabemos que a tradição salesiana diz-nos que não devemos ficar obcecados em fazer planos com antecedência até o ponto de ficarmos ansiosos ou compulsivos. No entanto, esta mesma tradição diz-nos que não devemos começar a fazer as coisas ou os projetos de uma forma perigosa e sem cuidado. A nossa própria experiência mostra claramente que quando deixamos de planejar, estamos planejando falhar com frequência.

Tomemos uma página da vida de Jesus. Antes de iniciar seu ministério público entrou no deserto, quando, sem dúvida, ele fez um inventário de todas as coisas necessárias para realizar o grande plano de Deus para com ele: a salvação da família humana. Jesus não começou o seu ministério de forma desordenada, ele não inventou as coisas à medida que avançava. Ele era decidido e era sábio. Antes de iniciar seu ministério a sério, considerou tudo o que precisaria - com o amor do Pai - para redimir toda a criação através de sua vida, seu amor, sua paixão, morte e ressurreição.

Deus nos deu o mais importante de todos os projetos: continuar a obra de Cristo na terra, para ser fonte de paz, justiça, reconciliação, verdade, esperança, carinho e amor de Deus para as outras pessoas. Tal como a torre no Evangelho de hoje, a realização deste objetivo pode ser coisa realmente muito difícil de fazer. Ainda assim, alguns de nós pensamos em anular quarenta dias no deserto para determinar o que precisamos para poder seguir a vontade de Deus e para ser o tipo de pessoas que Deus nos chamou a ser. Quando se supõe que devemos calcular o que precisamos para ser bem sucedidos, para sermos fieis em nossa busca por isso, o maior de todos os projetos?

Que tal se o fizéssemos nos primeiros minutos de cada dia?

Padre Michael S. Murray, OSFS é o Diretor do Centro Espiritual de Sales. 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dom Bosco e São Francisco de Sales (6)

             Para fazer o bem Dom Bosco diz que há necessidade de se ter um pouco de coragem, estar prontos para sofrer qualquer mortificação, mas nada fazer sem amor. Usando este sitema os efeitos foram verdadeiramente consoladores, antes magníficos. E aí ele fala de São Francisco de Sales, dizendo: “Qualquer um, ainda hoje em dia, pode ser bem sucedido como eu, porque tem a desenvoltura e a doçura de São Francisco de Sales.”(MB 3,52)

Reflexão Salesiana do Domingo - Décimo segundo Domingo do Tempo Comum (ciclo C) Agosto 29, 2010

As leituras de hoje nos ensinam que a humildade e a generosidade são valores que nos levam para a vida eterna. Eis alguns dos pensamentos de São Francisco de Sales sobre essas virtudes, que estão presentes em vários de seus escritos:

A humildade é muito generosa, e nos faz assumir todas as tarefas que nos foram confiadas com uma coragem invencível. Quando somos humildes, sobra coragem, porque estamos colocando a nossa confiança em Deus e não em nós mesmos. Ao mesmo tempo, a confiança em Deus, dá lugar a um espírito generoso em nós.

Nosso coração generoso pode estar cheio de dúvidas sobre nossa capacidade de fazer qualquer coisa. Mas não podemos ficar atolados nestas dúvidas. Temos que continuar fazendo essas coisas, pois sabemos que irão agradar a Deus. Quando trabalhamos, surgem dúvidas, principalmente porque valorizamos a nossa reputação. Queremos ser como professores que não querem jamais cometer um erro sequer. Mas são nossas amadas imperfeições que nos forçam a reconhecer nossas falhas e fazem com que coloquemos em prática nossa humildade, o amor sacrificado, a paciência e a vigilância. No final, os processos em que vivemos em meio à dor engrandecem o nosso coração e incrementam nossa coragem. Deus sempre se compraz em poder levantar-nos quando somos fracos.

Não devemos nos preocupar se percebermos que ainda somos iniciantes, quando se trata de pôr em prática as virtudes. A nossa existência é um processo de aprendizagem sobre como amar de forma divina. A nossa obrigação de servir a Deus e continuar o caminho do amor de Deus, continuará até o dia da nossa morte. Embora seja verdade que Deus nos confiou fazermos todo o possível para adquirir as virtudes sagradas, nosso trabalho é cultivar nossa alma corretamente. Portanto, devemos cuidar delas fielmente. Mas no que diz respeito às culturas e as colheitas abundantes, deixemos que Nosso Senhor se encarregue disso. O agricultor não será responsabilizado por não ter uma boa colheita, a menos que não tenha lavrado e semeado suas terras com o cuidado necessário. Então, siga em frente com paciência, e em vez de se preocupar por ter conseguido um mínimo progresso no passado, tente ser mais diligente, a fim de obter melhores resultados no futuro.

(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales)



Destaque

“Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amados mais do que um homem generoso. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade e assim encontrarás graça diante do Senhor”

Perspectiva Salesiana

Como encontrar graça diante de Deus através da nossa humildade?  Nesse caso, quando nós nos humilhamos, o que estamos realmente fazendo?  Em primeiro lugar, a humildade nos desafia a evitar dois extremos na vida: a tentação de exaltar a nós mesmos, ou o desprezo. Francisco de Sales ofereceu exemplos concretos de como fazer isso . "Quanto a mim, não quisera fazer-me de louco, nem de prudente, porque se a humildade me impede de fazer-me prudente, a sinceridade e a simplicidade me devem impedir de fazer-me de louco; Se a vaidade é contrária à humildade, o fingimento e o ardil são contrários à simplicidade e à candura da alma. A humildade esconde e cobre as outras virtudes para poder preservá-las, mas também as revela quando a caridade o requer para poder enriquecê-las, para melhorá-las e aperfeiçoá-las." (Introdução à Vida Devota, Parte III, Capítulo 5)

Num nível mais profundo, é a humildade de reconhecer nossa pequenez e a grandeza de Deus. "Considere o que Deus fez por nós e o que temos feito contra Deus, e quando refletimos sobre os nossos pecados, um por um, devemos considerar também a graça de Deus, uma por uma. Não há necessidade de temer que o conhecimento dos dons de Deus nos fará sentirmo-nos orgulhosos se somente recordarmos esta verdade: o bom em nós não vem apenas de nós mesmos." (Ibidem)

Finalmente, ter uma visão equilibrada de nós mesmos, reconhecer a nossa pequenez, a grandeza de Deus e agradecer a fidelidade de Deus para conosco, nos leva a viver uma vida de generosidade. "Os espíritos generosos não se divertem com brinquedos insignificantes da honra ou dos títulos. Eles têm outras coisas para fazer. Estes divertimentos pertencem às mentes preguiçosas. Aqueles que possuem as pérolas não estão preocupados com as conchas, enquanto que aqueles que aspiram à virtude não estão preocupados com as honras." (Introdução à Vida Devota, Parte III, Capítulo 4)

A humildade não é menosprezarmo-nos. Não, humilharmo-nos significa tomar o que nos corresponde na vida, como beneficiários do amor de Deus para conosco e como instrumentos do amor de Deus na vida dos outros.

Em última análise, a humildade faz com que conheçamos nosso lugar no plano de salvação e em termos a coragem de assumir este lugar. Esta é a verdadeira humildade, a qual, no tempo certo, deve nos levar suavemente - e respeitosamente a animar os outros nesta luta para que, da mesma forma cheguem a conhecer o seu lugar no plano da salvação e para que eles também tenham a coragem em assumi-la.

Qual a melhor maneira de encontrar o favor de Deus?  Juntos.

Padre Michael S. Murray , OSFS é o Diretor do Centro Espiritual de Sales.