quinta-feira, 14 de abril de 2011

Reflexão Salesiana de domingo - Domingo de Ramos - 17 de abril de 2011



Hoje caminhamos com Jesus rumo ao Monte Calvário. Pela sua morte na cruz todos nós experimentamos o amor abnegado que Ele sente por nós. Nós também somos chamados a imitá-lo. São Francisco de Sales diz:

Ao contrário da sabedoria do mundo, os cristãos verdadeiros e que buscam a santidade, depositam toda a sua perfeição na loucura da cruz. Todos os Santos foram sábios na loucura de seguir a Jesus. Eles sofreram a humilhação e o desprezo dos eruditos, dos apreciadores da cultura. Mesmo assim, eles lavaram os pés e as mãos nas águas sagradas do perdão. Nós também devemos limpar o nosso trabalho e os nossos afetos, para poder glorificar a Deus.

Como fizeram os santos, devemos ir para o Monte Calvário com nosso Senhor, trabalhar e suportar a perseguição. Quando os problemas internos e externos se apoderam de vocês, tomem boas resoluções e, tal como faria uma mãe que salva seu filho do perigo, depositem-nas nas chagas de nosso Senhor e peçam que os proteja, tanto a vocês como a elas. Permaneçam ai, no abrigo sagrado e aguardem até que a tempestade passe. Com a ajuda de Deus progrediremos muito. Como nos mostra Jesus, o fato de que possamos pecar não significa que temos poder, pelo contrário, significa que ficamos indefesos. Mesmo as perseguições que Jesus teve que suportar nas mãos dos seus inimigos não foram suficientemente poderosas para destruir o amor constante e incomparavelmente forte que o nosso Salvador tem para com todos nós. Assim deve ser o amor que devemos ter uns pelos outros: firme, ardente, forte e perseverante.

Quando aceitamos amar de forma divina, livrando-nos da nossa vontade, lembramo-nos dos pássaros que migram. Então migramos de um mundo invernal, onde os nossos corações são frios e gelados, para a primavera, onde o amor de Deus é o sol que aquece o coração humano. Este Fogo Sagrado nos enche de amor infinito e totalmente comprometido. Esse amor nunca irá dizer: "Basta." Nosso Salvador nos amou com um amor tão fervoroso e perseverante, que mesmo a morte não conseguiu esfriá-lo. O amor divino é mais forte que a morte. Oxalá permaneçamos sempre aos pés da Cruz de Nosso Salvador, a fim de nos alimentar de Seu amor abnegado, ao qual somos chamados a imitar.

(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales, especialmente o Sermão)

Destaque

"A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo..."

Perspectiva Salesiana

Santa Joana de Chantal disse isso sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: "A Igreja propõe o domingo da paixão para lembrar-nos dos sofrimentos de nosso Salvador... através dos quais a nossa redenção foi conseguida. Nossa redenção iniciou a partir do momento da concepção adorável do Verbo eterno no seio da Virgem, sua Santa Mãe, e foi concluída com a paixão do Salvador. Este domingo nos lembra que devemos nos preparar, recordando as tribulações e sofrimentos de nosso Salvador... considerando o que Deus tem feito por nós e nos dando incentivos para o imitarmos. E, se fosse necessário, como diz a Escritura, que o Filho de Deus entrasse em sua glória e em seu reino depois de passar uma infinidade de provas e tribulações. E estamos enganados se pensarmos que podemos entrar nele de outra maneira. Amemos: amemos os nossos pequenos sofrimentos e preparemo-nos considerando os sofrimentos de Nosso Senhor... Lutemos para deixar nosso amor-próprio, nossas inclinações, tudo o que corrompe nossa natureza e assim Deus nos permitirá viver uma vida nova em sua graça neste mundo e, em seguida, em sua glória para sempre, entregando-se a si mesmo como uma recompensa pelo nossos pequenos trabalhos."(Exortação Conferências XI, página 117-118)

Santa Joana também nos ajuda a ver que a paixão de Jesus não é apenas sofrimento: trata-se, em última análise, de ser obediente, de mente aberta e de ter confiança na Divina Providência. "É um ponto real e da mais alta e sublime perfeição quando nos entregamos totalmente, quando abrimos nossa mente e obedecemos aos eventos da Divina Providência. Se realmente nos entregarmos a Providência, nos sentiremos felizes já aqui ou a cem quilômetros daqui. E ainda mais na Providência teremos mais o prazer de Deus e menos o da nossa própria satisfação. Não teria nenhuma consequência se fossemos exaltados ou humilhados, se fossemos guiados por uma mão ou por outra, se sofrêssemos uma seca ou aridez, nem luto, nem a privação ou se fôssemos consolados pela Divina Providência e desfrutando de Deus. Na verdade, deveríamos manter-nos nas boas mãos deste grande Deus, como tecido nas mãos de um alfaiate que o corta de cem modos diferentes para usá-los como ele o deseja à medida que desenha e sem que nada o distraia nem o detenha. Portanto, suportaremos que a mão poderosa de Deus nos corte, nos martele e nos esculpa de acordo com a sua vontade e seus desejos, e assim fazer-nos pedras dignas para decorar a sua construção."(Palestra XLI pp 280-281)

Agora que refletimos sobre a Paixão de Jesus, sobre a generosidade de Jesus, a obediência de Jesus, a entrega Jesus, temos a oportunidade de examinar nossa própria paixão pela justiça, nossa própria generosidade para com os outros, nossa própria obediência à Vontade do Pai e a nossa própria disposição para nos entregarmos e para que os nossos corações, nossas mentes e nossas ações possam refletir mais precisamente o amor de Deus, que nos chama todos os dias para continuar o ministério de Jesus do modo como estamos vivendo nossa vida no momento presente.

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