terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Reflexão Salesiana para o 8º domingo do Tempo Comum - 02 de março de 2014

(Love Painting by Larry Cole) - Escolhi esta imagem para este final de semana, pois acho muito significativa e que ilustra o tema da liturgia. Às vezes pensamos que Deus se esqueceu de nós... no entanto, ele está sempre pronto para nos puxar para cima... Ele nunca nos esquece!

Destaque: "Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto do seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei".

 Perspectiva Salesiana

Escusado será dizer que todos nós já passamos por momentos em nossas vidas quando nos sentimos totalmente identificados com as palavras de hoje, tiradas do capítulo quarenta e nove do Livro do profeta Isaías: "O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!"  Todos nós, provavelmente, já nos perguntamos alguma vez se não desaparecemos da tela do radar divino de Deus em meio às circunstâncias da vida, da perda de um emprego, de uma doença grave, da morte de um ente querido ou do fim de um relacionamento. No entanto, o que nós experimentamos em tempos difíceis e conturbados não é esquecido por Deus. Ironicamente, pode acontecer que, de fato, nós O esquecemos.
Na Introdução à Vida Devota de São Francisco de Sales nos diz: "Deus está em todas as coisas e em todos os lugares. Não existe um só lugar ou objeto neste mundo onde Deus não esteja realmente presente. Todos nós conhecemos essa verdade, mas nem todos a mantemos presente em nossas mentes. Os cegos não têm nenhuma maneira de saber quando um príncipe se encontra entre eles, portanto, não demonstram nenhum tipo de respeito que exibem, uma vez que são informados de sua presença. No entanto, como não podem vê-lo facilmente, se esquecem da sua presença, e uma vez que esqueceram, deixam de lado o respeito e reverência que é lhe é devida. Infelizmente, não podemos ver a Deus, mesmo quando Ele está presente no meio de nós: mesmo que a fé garanta sua presença constante, como não podemos ver com nossos próprios olhos, muitas vezes esquecemos-nos Dele, e nos comportamos como se estivesse completamente longe de nós..."(Parte II, cap. 2). 
Não esquecemos intencionalmente de Deus. Diz o ditado: "longe da vista, longe do coração". É isso que acontece na maioria das vezes. É verdade que os tempos difíceis e as preocupações aguçam nossa percepção do que interpretamos como a ausência de Deus. Mas o que realmente acontece, e muitas vezes, especialmente nos momentos da vida diária, é que nos esquecemos de que Sua presença é real e constante. Dito isto, a realidade é que as coisas ruins que acontecem na vida são duras para afrontar, para que também nos sintamos abandonados por Deus. Francisco de Sales nos aconselha: "lembre-se que Deus não está presente apenas onde você está, mas também está presente de uma maneira especial em seus corações, no centro de seu próprio espírito... Isto não é de maneira nenhuma um produto da imaginação, é a verdade absoluta. Mesmo não podendo vê-lo, a realidade é que Deus está nos contemplando desde as alturas." (Ibid)
Durante tempos difíceis, durante os bons tempos, lembrem que Deus não se esqueceu de nós: Ele nunca irá esquecer-se de nós. Mesmo que nós não possamos vê-lo com nossos próprios olhos, Deus sempre mantém os olhos em nós, por assim dizer. Mais importante ainda, Deus permanece em nós, de maneira muito íntima, em nossas mentes e em nossos corações, em nossos corpos, em nossas almas, em nossos espíritos. Deus está sempre conosco, em nós e entre nós...
Tente lembrar-se disso, sempre.

P.Michael S. Murray - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales. 
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB
  
Dos escritos de São Francisco de Sales

No Evangelho de hoje, Jesus nos desafia a evitar as preocupações e ansiedades, quando temos que enfrentar os problemas cotidianos. Jesus nos convida a ter plena confiança e confiança Nele, diante dos altos e baixos, perdas e ganhos de cada dia. São Francisco de Sales nos diz por que devemos confiar em Deus como se fôssemos crianças: 
O sol toca todas as coisas com o seu calor vivificante e, como um amante universal, lhes proporciona vigor que precisam para crescer. Deste mesmo modo o amor de Deus anima o coração humano. Nenhuma pessoa pode esconder-se do amor de Deus. Ele deseja amar-nos e, por sua vez, deseja o nosso amor.
É o amor fiel e eterno de Deus que nos leva a uma vida plena de fé. Deus está à porta, não só batendo na porta, mas chamando nossa alma e acordando-a: "Venha, levante-se, apresse-se."  Deus, inclusive, clama nas ruas: "Volte para mim!  Vivam!" Nosso Divino Salvador nos demonstra com fé que a sua misericórdia excede sua justiça, e que sua redenção é abundante. Ele quer que todos nós sejamos plenos e que nenhum pereça. "Eu vos tenho amado com um amor eterno e vou levantá-los novamente." Estas são as verdadeiras palavras de Deus: a promessa que Ele nos criou e que nosso Salvador veio a este mundo para estabelecer um novo reino através da sua Igreja. 
No entanto, o Espírito Santo, uma fonte de água viva que flui em cada parte nossos corações para impregná-lo completamente com o amor de Deus, não deseja entrar em nós, a não ser com o consentimento do nosso coração. Nós nunca seremos privados do amor de Deus, mas nós somos os únicos que podemos negar o amor de Deus em nosso favor. Deus nunca tira os dons que Ele nos deu. Somos nós que afastamos nossos corações para longe de Deus. Portanto, devemos estar atentos para o progresso do amor que devemos a Deus. Porque o amor que Deus nos dá, nunca nos faltará. Respondamos a esse amor divino com que o Espírito de Jesus quer encher nossos corações. Então experimentaremos uma nova vida no Espírito que nos ajudará a enfrentar as realidades da vida, sem nos preocuparmos excessivamente e sem deixar-nos levar pela ansiedade. 

(Do Tratado do Amor de Deus por São Francisco de Sales) 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Imagens de São Francisco no Brasil - Campo Grande

Viajando pelo Brasil vou tirando fotos de imagens de São Francisco de Sales. Hoje apresento duas: 
Vitral da Paróquia São José de Campo Grande 


Estátua que se encontra na capela dos salesianos na Chácara São Vicente em Campo Grande

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Reflexão Salesiana para o 7º domingo do Tempo Comum - 23 de Fevereiro de 2014

Destaque: "Vós ouvistes o que foi dito... Eu, porém, vos digo... 
 Perspectiva Salesiana

No Evangelho de hoje Jesus retoma as suas palavras do domingo passado, acrescentando mais coisas. Diz que não devemos assegurar-nos de que as represálias que fazemos são justas, mas, que não devemos fazer nenhum tipo de represália. Não é suficiente amar os nossos vizinhos enquanto nós odiamos nossos inimigos. Também devemos amar os nossos inimigos, orar por aqueles que nos perseguem. Quando alguém nos pede para andar uma certa distância, tentemos ir além. Quando nos solicitarem para ajudar, devemos fazer tudo que estiver ao nosso alcance, sem esperar qualquer retribuição por nossa generosidade. Se alguém nos bate numa face, ofereçamos a outra.
No entanto, seria errado se interpretássemos as palavras de Jesus como um  convite para sermos fracos, para ser objetos de decoração, ou tapetes onde todo mundo pisa: há certos momentos a vida de uma pessoa que ela deve fazer o que é certo, mesmo que se mostre com uma cara de brabo. Isso também aconteceu com Jesus durante a sua vida. O desafio é, então, aprender a nos defender dos outros, mas sem permitir que se gere ódio em nossos corações para com eles. Como nos recorda o livro do Levítico: "Embora às vezes tenham que reprovar seus concidadãos, não se permitam incorrer em pecado por causa deles.  Não sejam vingativos, e não guardem qualquer rancor contra seu povo."
Em sua Introdução à Vida Devota Francisco de Sales observa: "Não há nada que acalme um elefante enfurecido mais rapidamente do que ver um cordeirinho (nota do escritor: Vocês em primeiro lugar! ). Nada diminui a força de uma arma tão facilmente como a lã. Não atribuamos grande valor para as correções decorrentes da raiva, mesmo quando elas têm um toque de razão. Atribuamos valor as que resultam da razão. Quando os príncipes visitam seus povos nas delegações de paz, o povo os honra e isso hes dá grande alegria. Mas quando se apresentam encabeçando os exércitos, mesmo se eles fazem isso para o bem comum, são desagradáveis, inclusive contraproducentes. Da mesma forma, embora seja a razão quem reina, repreendam pacificamente, corrijam e advirtam, mesmo que se torne grave e em tempo-todo, todos amarão e aceitarão." (Parte III, cap. 8)
Se formos obrigados a nos defender, devemos evitar derrubar os outros. Se devemos corrigir, repreender ou criticar os outros, façamos sem permitir que o ressentimento nos corrompa. Se devemos trabalhar no interesse da paz, vamos fazê-lo sem o uso de quaisquer meios desleais. Por experiência própria, sabemos que isso às vezes é mais fácil dizer do que fazer. Francisco de Sales oferece o seguinte conselho para aqueles momentos em que você faz a coisa certa da maneira errada: "quando perceberem que são culpados de ter se deixado levar pela raiva, corrijam a falta imediatamente com um gesto de bondade para com a pessoa da qual estavam com raiva. Assim como o remédio soberano contra a mentira é contradizer a mentira no mesmo instante em que falamos, temos de aprender a reparar erros cometidos por causa de nossa raiva com um ato instantâneo de humildade. Como diz o ditado, são as feridas frescas as que se curam mais rapidamente." (Ibid)
Jesus viveu um "amor maior" na sua vida. Muitas vezes não se trata tanto sobre o que fazemos ou não para os outros. Tudo tem muito mais a ver como o fazemos ou não, para os outros. 

P. Michael S. Murray, OSFS  - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Reflexão Salesiana para o 6º Domingo do Tempo Comum - 16 Fevereiro 2014
























Destaque: "Vós ouvistes o que foi dito aos antigos... Eu, porém, vos digo..."

Perspectiva Salesiana

Considere isso, deve haver um amor maior,
Seja no fundo do coração ou escondido nas estrelas.
Sem este amor a vida é um desperdício de tempo.
Olhe dentro de seus corações, eu vou olhar para dentro do meu. 
As coisas parecem estar tão ruins em todos os lugares. 
O que existe neste mundo que é justo?
Todos caminham cegamente tentando ver, 
Ficamos sempre um passo atrás do que pode ser. 
Dê-me um amor maior, dê-me um amor maior
Dê-me um amor maior, onde está este amor maior no qual penso o tempo todo? (Canção de Steve Winwood)

No evangelho de hoje Jesus nos chama ao amor "maior." Jesus pede que evitemos reduzir ao mínimo a vida espiritual, que nos limitemos a cumprir os requisitos mínimos para tudo o que fazemos. Pede para não viver a vida seguindo o método "está tudo bem assim!". Jesus coloca claramente como padrão aquilo que diz a seus ouvintes: não é suficiente que evitem matar seus vizinhos, mas, devem evitar ficar com raiva deles, ou guardar rancor contra eles. Na verdade, vocês devem reconciliar-se com os outros. Não é suficiente evitar o adultério, devemos também evitar tratar os outros de forma que os desumanizam, que os rebaixam, apenas para satisfazer-nos ou para aproveitar-nos deles. Às vezes perdemos muito tempo fixando-nos nos outros. Seria muito mais útil se usássemos o tempo para examinar a nós mesmos. Não é suficiente tratar de não jurar falsamente, devemos evitar de nos envolvermos em qualquer situação onde somos forçados a jurar qualquer coisa. Basta simplesmente dizer o que pensam, e certifiquem-se de que o seu comportamento seja consistente com o que dizem.

O "amor maior" de Jesus é realmente equivalente ao núcleo da noção de "devoção" (espiritualidade) desenvolvida por São Francisco de Sales. Ele escreveu: "A vida e a devoção (espiritualidade) genuína pressupõe o amor de Deus, e por isso simplesmente se traduz em verdadeiro amor por Ele. Embora nem sempre seja amor como tal. Na medida em que o amor divino adorna a alma, o chamamos de graça, a qual nos torna gratos ante à Divina Majestade. Chamamos de caridade a medida em que o amor de Deus nos fortalece para fazer o bem. Quando tivermos alcançado um grau de perfeição que não só nos leve a fazer o bem, mas também a fazê-lo com cuidado, com frequência, e sem demora, é então que chamamos de devoção... Este amor também exorta-nos a fazer tantas boas obras, com tanta prontidão e com tanto carinho quanto pudermos; e não apenas aquelas obras que nos foram confiadas, mas mesmo aquelas que fazemos por inspiração ou conselho." (IVD, parte 1, cap. 1) 

São Francisco de Sales, entretanto, também nos desafia a evitar cair no minimalismo espiritual. Não é suficiente que deixemos de não dizer mentiras, temos que ser honestos. Não é suficiente que evitemos a gula, precisamos ser disciplinados. Não é suficiente evitar ser mesquinhos, devemos ser generosos. Não é suficiente evitar ferir os outros, mas, devemos curar os outros. 

Senhor Deus, ajude-nos a chegar a esse amor maior. Ajude-nos a não deixar a vida passar por nós. Ajude-nos a entender o que realmente significa estarmos vivos... e a amar plenamente.

P. Michael S. Murray - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales. 
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Dos escritos de São Francisco de Sales

O salmo responsorial de hoje nos diz: "Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo!"  A respeito disso, São Francisco de Sales explica o seguinte: 
Como seguir a "lei do Senhor" para viver melhor? Primeiro, devemos purificar todas as nossas intenções, tanto quanto pudermos. Devemos fazer o firme propósito de aproveitar o dia da melhor maneira para que a nossa intenção de viver bem, seja de acordo com os desígnios de Deus. Devemos antecipar aquelas tarefas, interações e sucessos que farão parte do nosso dia, e que representam oportunidades de servir a Deus. A qual tipo de tentações estarão expostos? À raiva, ao amor egoísta ou a outros caprichos? Preparem-se com cuidado para evitar, resistir e superar qualquer obstáculo que os impeçam de viver verdadeiramente Jesus. 
Para que possam seguir a lei do Senhor, a primeira coisa que devem fazer é ter um santo propósito de crescer no amor que Jesus nos ensinou. A fim de preparar-se para colocar em prática este propósito, peçam ao nosso Salvador que os ajude a usar os meios à sua disposição para crescer no amor santo e servir da melhor maneira possível. Admitam que vocês sozinhos não podem levar a cabo a decisão de afastar-se do mal e de fazer o bem, como Deus deseja que o façam. Tomem seus corações nas mãos e ofereçam-nos ao nosso Salvador com todas as suas boas intenções. Peçam-lhe para ter o cuidado de proteger e fortalecer seus corações para que assim vocês possam andar em seu verdadeiro amor. 
Para que possam seguir a lei do Senhor devem aprender a orar. Devem receber os sacramentos com frequência. À medida que se dedicam a realizar as tarefas próprias de suas vocações, nunca se esqueçam de praticar a humildade, a mansidão, a paciência e a simplicidade; virtudes que crescem como flores ao pé da cruz. 
À medida que se dedicam ao cuidado de suas famílias com a devida diligência, semeiem nestas almas o amor por Deus infundindo inspirações positiva em seus corações. As grandes oportunidades para servir a Deus raramente ocorrem, mas as pequenas oportunidades para fazê-lo não faltam. Enquanto cumprem suas responsabilidades, glorifiquem a Deus, em todas as atividades, incluindo comer, beber, dormir ou divertir-se. Estas serão levadas a cabo em nome de Deus que, por meio de Jesus Cristo, leva-nos a verdadeira plenitude.

(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales) 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Reflexão Salesiana para o Quinto Domingo do Tempo Comum - 09 de fevereiro de 2014

























Dos escritos de São Francisco de Sales

As leituras de hoje recordam a cada um de nós que somos a luz do mundo. Isto significa, para São Francisco de Sales, compartilhar a nossa vida em Cristo com os outros, a fim de dar glória a Deus. 
Como Jesus iluminou o mundo com o brilho de Sua vida, devemos fazer o mesmo com nossas vidas. Vocês devem sentir-se honrados por terem sido escolhidos para esta missão. Considerem a nobreza e a excelência que implica o fato de serem humanos. Vocês receberam o dom do entendimento, que lhes permite conhecer este mundo visível, mas também saber que existe um Deus que é muito bondoso e indescritível. Vocês sabem que a eternidade existe. Também sabem qual é o melhor modo de levar uma boa vida neste mundo visível, para que assim possam desfrutar de Deus por toda a eternidade. Além disso, vocês possuem uma vontade extremadamente nobre que lhes permite amar a Deus e ao próximo. Olhem em seus corações e reconheçam como eles são generosos. O amor de Deus em vocês faz um chamado para amar os outros. 
Amar nossos semelhantes demais é algo que nunca vai acontecer enquanto o amor de Deus ocupar o lugar central em nossos corações. A imagem de Deus em todos nós é o motivo mais poderoso que temos para amar-nos uns aos outros. O amor por nossos semelhantes nos dá a oportunidade de fazer muitas coisas para Deus. Nunca digam: "Eu não sou suficientemente virtuoso" ou, "eu não tenho talento suficiente para expressar-me bem." Nada disso importa. Simplesmente façam, façam o que tem a fazer. Deus lhes indicará o que devem dizer e o que devem fazer. Se alguma vez sentem medo, digam para si mesmos: "O Senhor proverá." O nosso coração encontra descanso em Deus, que cuida de nós. 
Não se preocupem quando perceberem que não estão produzindo os frutos pretendidos. No final só será perguntado se vocês cultivaram fiel e sabiamente estas terras secas e áridas. Haverá outros que terão uma vida mais abundante, graças ao exemplo que vocês estão dando. Continuem então, simplesmente e cheios de coragem. Nosso Salvador vai estar com vocês para sempre, enquanto engajados no trabalho para a glória de Deus. Como as estrelas permanecem ocultas quando o sol brilha, "nossa vida permanece escondida em Cristo com Deus." Caminhando pelo caminho da Luz de Deus, e compartilhando a abundância do amor de Deus em nós, é assim que nós seremos a luz do mundo. 

(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales)

Destaque: "Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo"

Perspectiva Salesiana

Jesus proclama a todos os que desejam segui-lo, que devem ser a luz do mundo e sal da terra. Estas imagens são muito poderosas, tão poderosas hoje como quando Jesus falou delas pela primeira vez. Para aqueles que foram discípulos ao longo do tempo e nos vários lugares, essas imagens significam mais do que um elogio a seus egos. Significam um desafio constante para que se atrevam a converter-se para Deus e para os outros, como o próprio Jesus estava disposto a ser tão claramente. 
Ser luz para o mundo significa iluminar os outros com a verdade e misericórdia de Deus. Da mesma forma, a mesma luz deve expor os pecados do orgulho, da inveja, da malícia, da indiferença, da injustiça, e tudo o que nos impede de ver a verdade e a misericórdia de Deus que Cristo conquistou para nós. O pecado é tudo aquilo que nos impede de ver em nós e nos outros a luz e o amor de Jesus Cristo. Quando resolvemos tirar este pecado, não estamos apenas liberando a obscuridade, mas isto também oportunizando maior capacidade de agir bem, de forma revigorante. 
Na luz de Jesus observamos a fonte de toda a luz. Podemos ver o amor criador de Deus, podemos receber o amor redentor de Jesus, podemos experimentar o amor inspirador do Espírito. Ainda assim, não é o suficiente deixar que esta luz brilhe só para os outros: devemos também permitir que a luz penetre e permeie todas as fibras do nosso ser. O maior estímulo que podemos dar aos outros é quando mostramos como a luz que Deus nos deu nos está, de fato e principalmente, nos transformando. 
Ser sal significa aceitar o fato de que os nossos esforços - ou falta de esforços - para seguir a Cristo, têm um impacto direto sobre os outros, mesmo se estamos conscientes ou não desse fato. Há momentos em nossas vidas em que perdemos o gosto por Deus e/ou pelas coisas de Deus: frequentemente isto fica evidenciado em nossos sentimentos de incompetência, e/ou na nossa indiferença para com a prática das virtudes. Todos temos momentos em que nos sentimos tentados a acreditar que os esforços que fazemos todos os dias para seguir a Cristo simplesmente não têm qualquer impacto positivo sobre a vida dos outros, muito menos no plano geral de Deus para a salvação. No entanto, ao contrário do sal, podemos recuperar o gosto pela boas e corretas obras através da oração, dos sacramentos, e talvez até melhor, se dobramos e até mesmo triplicamos os nossos esforços para implementar essas mesmas virtudes que somos tentados a deixar de lado. 
Quando sentimos a tentação de questionar a nossa eficácia como testemunhas do poder e da promessa do amor criador, redentor, inspirador, curador e desafiador de Deus em nossa vida diária e imperfeita, busquemos consolo e encorajamento numa verdade que vale tanto para luz, quanto para o sal: a menor quantidade nos atinge tanto que podermos fazer muita coisa.

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales
Tradução e Adaptação - P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Reflexão Salesiana para o dia da Apresentação do Senhor - 02 de fevereiro de 2014

Dos escritos de São Francisco de Sales

No Evangelho de hoje ouvimos quando Maria e José apresentaram o menino Jesus, o Filho de Deus, no templo. A este respeito, São Francisco nos diz o seguinte: 
O Rito Oriental chama esta festa de "Apresentação do Filho de Deus no Templo," porque esse foi o dia em que Maria e José foram a Jerusalém para apresentar o Filho único de Deus no templo de Deus. Naquela ocasião, havia diferentes tipos de pessoas reunidas na Igreja de Deus. No templo com Maria e José, se encontravam Simeão e Ana, profetisa e um viúvo, bons e fiéis servos, e nosso Senhor, que é Deus e homem (Sermões 2:172-3.) 
Esse é o dia no qual o Filho de Deus é oferecido a seu Pai. Esta oferta é representada lindamente com velas acesas para lembrar-nos do momento em que Maria entrou no Templo trazendo nos braços seu Filho, que é a Luz do mundo. Hoje, quando os cristãos carregam velas acesas em suas mãos dão testemunho de que, se fosse possível, eles levariam Nosso Senhor nos braços do mesmo modo que o fizeram Maria e Simeão (Sermões 2:173). 
O glorioso São Simeão foi muito feliz carregando o Salvador em seus braços. Podemos levá-lo em nossos ombros, se estamos dispostos a suportar e sofrer com um bom coração, tudo o que Deus deseja enviar, sem importa-nos o quão difícil e pesado chegue a ser o fardo que Ele colocou sobre os nossos ombros, tal como o fizeram  alguns santos (Sermões, 2:187). 
Todos podemos carregar Nosso Senhor nos nossos braços como fizeram São  Simeão e Maria. Fazemos isso quando suportamos com amor o trabalho e os sofrimentos que Ele nos envia. Dito de outro modo, fazemos isso quando o nosso amor faz-nos sentir que o jugo de Deus é fácil e agradável, a tal ponto que nós amamos essas dores e este trabalho, e nós somos capazes de recolher doçura na amargura. Se o carregarmos deste modo, Ele, sem dúvida, também nos carregará em Seus braços (Sermões, 2:188). 
Quão felizes seremos se permitirmos que nosso querido Senhor nos carregue em seus braços, e se o carregarmos em nossos ombros e em nossos braços, se nos entregarmos completamente a Ele e concordamos que nos leve para onde Ele deseja! Entreguem-se nos braços de Sua Divina Providência; submetam-se a Sua lei e disponham-se a suportar toda a dor e sofrimento que tenham que enfrentar nesta vida. Depois de terem feito isso, irão perceber que as coisas mais difíceis e dolorosas serão doces e agradáveis e poderão compartilhar a felicidade experimentada por Simeão e Ana, a profetisa. Basta fazer a tentativa de imitá-los nesta vida. Assim abençoarão o Salvador e Ele nos abençoará no céu, junto com os santos gloriosos. (Sermões, 2:188). 
Se imitarmos  Simeão e Ana teremos a capacidade de ver além das vicissitudes de nossas vidas de hoje, e poderemos experimentar  o reino de Deus entre nós.

(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales) 

Destaque: "Vocês ouviram isso antes... mas agora eu sou o único que lhes diz"

Perspectiva Salesiana

"Deus usou muitos e vários meios para manifestar o seu desejo de que todos nós sejamos salvos, e ninguém pode ignorar este fato. Para isso, Ele nos fez "à Sua imagem" durante a criação, e através da Encarnação foi Ele quem assumiu a nossa semelhança, e, consequentemente, padeceu a morte para poder resgatar e salvar toda a humanidade." (Tratado Por amor de Deus , Livro 8, Capítulo 4). 
Certamente todos estão muito familiarizados com o fato de que, por meio da criação, todos foram feitos à imagem e semelhança de Deus. Além disso, é provável que sabemos que Deus, através da encarnação, tornou-se a nossa imagem e semelhança. Independente se estamos ou não a par destes acontecimentos, ambos são verdadeiros. 
São Francisco de Sales foi cativado pela noção de que Deus poderia amar-nos tanto que não só veio para estar conosco, mas se tornou um de nós! Deus assumiu a nossa natureza! Na pessoa de Jesus, Deus ganhou conhecimento em primeira mão e experimentou o que significa dormir, levantar-se, trabalhar, descansar, dançar, chorar, lutar, ter sucesso e êxito. Através desta experiência, Jesus não só resgatou o que significa ser humano, também celebrou o que significa ser humano, ser humano da maneira que Deus sonha que o sejamos.
O autor da Carta aos Hebreus também acreditava nesta verdade. Ele escreve que " Uma vez que os filhos dos homens têm o mesmo sangue e a mesma carne,também Jesus participou igualmente da mesma natureza, " em carne e osso ... e "teve que assumir a semelhança de seus irmãos (e irmãs), em todos os sentidos." Assim, Jesus não só conseguiu resgatar, mas também conseguiu realmente entender-nos. 
Este é realmente um grande mistério. Esta é verdadeiramente uma grande intimidade: Deus nos amou tanto, que assumiu a nossa natureza... Ele se fez a Si mesmo a nossa semelhança e segundo a nossa natureza - a melhor, a natureza verdadeira, como Deus queria desde o início dos tempos. Em certo sentido, através da Encarnação Deus nos mostra como podemos sentir-nos confortáveis ​​em nossa própria pele. Como? Demonstrando-nos que Deus se sente confortável ​​na nossa pele, através da pessoa de Seu Filho Jesus Cristo
Dito de uma maneira mais simples, a natureza de Deus é estar conosco onde quer que estejamos e exatamente como nós somos
 Jesus nos desafia para fazer o mesmo cada dia: para ir ao encontro dos outros onde quer que estejam, assim como eles são, e convidá-los a se sentir confortável em sua própria pele através de nossos esforços para sentir-nos confortáveis na nossa. Ao invés de ceder à tentação de achegar-nos aos outros apenas quando eles estão prontos ou que são dignos, em vez de esperar que são eles deem o primeiro passo na dança da vida, devemos estar abertos para eles e –colocar-nos no lugar dos outros. Tal como Jesus nos mostrou com o exemplo de vida: o primeiro passo em qualquer tentativa de ajudar, apoiar e incentivar, resgatar e redimir os outros, é chegar a conhecê-los.

Padre Michael S. Murray, OSFS – Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Reflexão Salesiana para o 3º Domingo do Tempo Comum – 26 de janeiro de 2014

Destaque:

"O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz."
Perspectiva Salesiana

Em seu livro intitulado “A União da Perfeição”, Wendy Wright faz a seguinte observação a respeito de São Francisco de Sales: "É difícil caracterizar com precisão o status espiritual de qualquer pessoa durante o curso de uma vida. O que se pode fazer são algumas generalizações. A geografia da relação contínua de Francisco de Sales com o divino e com as visões que experimentou de si mesmo, tentando manter esse relacionamento, pode ser comparado, em alguns aspectos, e na íntegra, com grandes pastagens ou com extensas planícies. Há alguma noção de liberdade, espaço, uma visão de horizontes mais amplos e uma sensação de luz que emana dele." (p. 141) 
São Francisco de Sales foi verdadeiramente uma luz para as pessoas do seu tempo, de uma maneira própria. Através de seus escritos, suas pregações e seu toque humano, ele foi uma luz que ampliou os horizontes das pessoas, que aliviou suas cargas e os ajudou a seguir uma vida devota, refletindo o estado e o estágio em que suas vidas se encontravam. Ele foi uma luz que dissipou as trevas da ignorância, a ansiedade, o fatalismo e o medo. Ele foi uma luz que deu as pessoas o coração que precisavam para acolher a vida como ela era... e para sonhar com a vida como poderia ser.
Reconhecemos este homem como um santo, precisamente porque sua própria luz reflete claramente a luz de Jesus Cristo. Cristo é a luz que dissipa as trevas. Cristo é a luz que perdoa os pecados. Cristo é a luz que fortalece os joelhos fracos e os corações deficientes. Cristo é a luz que dispersa a névoa do pecado e da tristeza. Cristo é a luz que indica o início de uma nova era de felicidade e de alegria, de propósito e de promessa. 
A seleção do Evangelho de Mateus deste final de semana, assim como a vida de São Francisco de Sales, nós oferece um poderoso testemunho da natureza da luz divina de Cristo, luz para ser compartilhada. Como Cristo chamou os seus apóstolos para partilhar a sua luz, assim como Cristo chamou Francisco para partilhar a sua luz, assim também Cristo nos chama a todos e cada um de nós para que sejamos fontes desta mesma luz para os outros. Cada um de nós é chamado a dissipar o nevoeiro do desânimo e do desespero quando estes estão presentes nos corações dos outros. Cada um de nós é chamado para aliviar o fardo dos outros. Cada um de nós é chamado a ser uma fonte de esperança para os outros. 
Não se enganem. Existem certas acusações que estão associadas ao fato de não sermos fontes de luz de Cristo na vida dos outros. Nossa luz deve enfrentar o lado escuro da vida: o mal, o pecado, o cinismo, a hostilidade, a desconfiança, o preconceito e o medo, só para citar algumas. Nossa luz deve iluminar não só os outros, mas deve também iluminar e purificar nossas mentes, nossos corações, nossas atitudes e nossas ações. Nossa luz requer que realmente cheguemos a conhecer a nós mesmos... e que realmente cheguemos a conhecer os outros. 
Jesus argumenta que a carga que nos implica de sermos fontes de luz é, paradoxalmente, mais leve do que qualquer outra carga que decidamos tomar ao longo das nossas vidas. (Mateus 11, 29-30) Como isso é possível?  Porque a luz de Cristo nos eleva! Que benditos, que felizes, que “leves de coração” nos sentimos quando aproveitamos as oportunidades que se apresentam diariamente para levantar-nos... e para ajudar os outros a também se levantarem! 

Padre Michael S. Murray, OSFS – Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales. 
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Dos escritos de São Francisco de Sales

No Evangelho de hoje, Jesus chama vários pescadores para segui-lo. São Francisco de Sales nos oferece os seguintes pensamentos sobre o chamado feito a eles e a nós também, para que sigamos o nosso Salvador.
Quando nosso Salvador diz a seus apóstolos que escolheu, não faz nenhuma exceção. O Próprio Judas recebeu o convite, mesmo quando fez mal uso da sua liberdade e rejeitou os bens que Deus lhe tinha dado. Devemos estar absolutamente certos de que quando Deus chama alguém para acolher o cristianismo, seja solteiro ou casado, seja religioso, seja padre ou bispo, ele dá a cada pessoa todo o apoio necessário para que possa alcançar a santidade por meio de  sua vocação. 
No entanto, mesmo depois de sua conversão, alguns dos apóstolos estavam sujeitos a certas imperfeições. Tal é o caso de São Pedro, que falhou miseravelmente ao negar o Senhor. Assim, podemos perceber que é impossível superar num dia todos os maus hábitos que adquirimos como resultado de maus cuidados que temos dado à nossa saúde espiritual. No entanto, Nosso Salvador quer que vocês o sirvam tal e como são, por meio de suas orações e ações, de acordo com o estado e o estágio em que se encontram suas vidas. Uma vez que estejam convencidos que devem servir a Deus de seus lugares, continuem a fazer o que estavam fazendo, sintam afeto por seu estado de vida. Sejam bons de coração, cultivem a sua vinha com o amor divino. 
À medida que se dedicam a suas tarefas encomendem-se diariamente nas mãos de Deus, que deseja ajudá-los a realizar todos os seus objetivos com sucesso. Devem ter fé de que Deus fará o que Ele julgue ser o melhor para vocês, sempre e quando vocês façam a sua parte e sejam diligentes. Não se surpreendam se os frutos do seu trabalho demorarem a aparecer. Se realizam a obra de Deus com paciência, seus esforços não serão em vão. Nosso Senhor, que faz casas para tartarugas e caracóis, os guiará bem. Deixem-no fazer isso. Devemos caminhar fielmente no caminho do nosso Senhor, e permanecer em paz, tanto no inverno da nossa esterilidade como no outono da fertilidade. Andem com alegria e sigam sua vocação com plena confiança na Divina Providência. 

(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales)