sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Reflexão Salesiana para o 30º Domingo do Tempo Comum - 28 de outubro de 2011


     No Evangelho de hoje experimentamos a compaixão de Jesus, curando o cego que mostrou ter fé em seu poder de cura. A este propósito, São Francisco de Sales nos diz o seguinte:
     A mão misericordiosa de Deus sustenta seus corações. Ele nunca os abandonará, mesmo que se encontrem preocupados ou angustiados. Nunca se afastem dele quando se sentem tristes ou atolados em amargura. Ao contrário, voltem-se para Nosso Senhor e Nossa Senhora, cujo amor por você é infinito. A bondade de Deus, com a sua força suave, vem em nosso auxílio, desde que estamos dispostos a aceitar a ajuda que precisamos. De nenhuma maneira devemos desanimar. Se nós cooperamos com cuidado amoroso de Deus por nós, Sua bondade nos ajudará de forma diferente e muito maior. A misericórdia de Deus nos leva de um estado bom para um estado muito melhor para que nós possamos progredir no amor sagrado.
     Se vocês dedicam um momento a cada dia para aproximar seus corações de Deus, reforçarão as suas mentes de tal modo que nunca ficarão perturbados por esses pensamentos habituais e inúteis que os incomodam e atormentam agora. Em tais momentos devem repetir: "Sim, Senhor, eu vou fazer isso porque Tu desejas que eu faça." Escolhendo enfrentar as dificuldades para conseguir o melhor para nós, independentemente das reclamações que fazem nossos próprios sentimentos, temos um poderoso exemplo de oração diante de Deus. Se por algum motivo vierem a falhar em seus esforços não fiquem tristes. Cheio de confiança na misericórdia de Deus, levante-se e continue a caminhar em paz e com calma, como fizeram antes: no caminho da fé. Mesmo sendo fracos, nossa fraqueza jamais será maior do que a misericórdia que Deus demonstra para aqueles que querem amá-lo e colocar nele suas esperanças.
    Conheço muito poucas pessoas que conseguiram vencer na vida sem ter que passar por dificuldades. É por isso que você deve ser paciente. Depois da tempestade, Deus enviará a calma, porque somos Seus filhos. Nosso Divino Salvador sempre demonstrou que sua misericórdia excede Sua justiça, e Seu desejo de perdoar é infinito e que Ele é rico em misericórdia. Por isso, o nosso Redentor deseja que todos sejamos curados através do amor divino. Tenha fé no poder da cura de Deus.

(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales e Joana de Chantal)

Destaque: Como somos cegos? Como nós precisamos ser curados?

Perspectiva Salesiana

     A primeira leitura de hoje nos lembra da promessa feita pelo Senhor a seu povo de Israel. Deus irá protegê-los e levá-los para sua casa, pois Ele é um "Pai para Israel e Efraim é o meu primogênito." Deus está sempre atento aos fracos, às mulheres com crianças e aqueles que não podem cuidar de si mesmos.
     Tal preocupação demonstrada por um Pai amoroso nos permite dar um breve olhar sobre a relação única entre Deus e Seu povo. São Francisco de Sales lembra-nos continuamente do amor que Deus sente por sua criação. Esta "verdade" certamente faz sentido e é totalmente coerente com a lógica da nossa existência. Afinal, que criança não é amado/a por seus pais gratuitamente?
     A segunda leitura fala do papel do sumo sacerdote. O autor da Carta aos Hebreus deixa claro que o sumo sacerdote tem a capacidade de ser compassivo já que ele é ao mesmo tempo um curador ferido. Aqui, novamente, temos outro exemplo da natureza gratuita do nosso relacionamento com Deus. Deus dá uma vocação, não importa qual seja a nossa condição de vida. Mas esta vocação não é para nós que nos apropriemos dela, mas para que respondamos ao seu chamado.
     O Evangelho relata a história de Bartimeu, o mendigo cego. Essa é uma história maravilhosa para nos ajudar a entender como somos amados por Deus e de forma incondicional. Mesmo assim, embora essa relação seja gratuita, não é passiva.  Bartimeu implora a Jesus que tenha misericórdia dele. Jesus, em resposta devolve a vista ao cego. O cego pediu-lhe para ver e, em seguida, Jesus diz que a sua fé o salvou.
     Nós rezamos para poder obter a fé que precisamos e assim conseguir ver a relação fundamental entre Deus e Seu povo. Nossa cegueira nos impede de ver a bondade única que existe dentro de cada pessoa. Essa incapacidade de ver a bondade nos mantém atolados no pecado e nos nega a capacidade de aumentar os nossos dons e talentos para o nosso bem e para o bem de nossos irmãos e irmãs.
     Francisco de Sales nos desafia a ter a mesma fé do cego, e, ao mesmo tempo, pede que tenhamos bastante confiança no nosso valor intrínseco para que possamos pedir ao Senhor que nos permita ver. Se somos fortes o suficiente para dar esse passo, basta imaginar o quão longe poderemos ir!

P.Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Reflexão Salesiana para o 29º Domingo do Tempo Comum - 21 de outubro de 2012


Nós sempre temos uma grande tentação: buscar o prestígio, o poder, escolhermos ser servidos. Jesus diz que deve ser o contrário. Ele nos dá a lição da doação, da partilha... é o que fazem os missionários. Hoje celebramos o dia das missões. Partilhemos nossa fé!

"Mostramos nosso amor ao próximo fazendo o maior bem para sua alma e para seu corpo, orando por ele e servindo-o de coração em todas as ocasiões. O amor que se reduz a belas palavras não é aquele com o qual Jesus Cristo nos amou. Ele não disse somente que nos amava. Foi muito mais além, fazendo tudo o que já sabemos, para provar seu amor". (São Francisco de Sales - Conversações espirituais, XI - o amor as criaturas)

Destaque: "através de seu sofrimento, meu servo, justificará a muitos"

Perspectiva Salesiana

     Jesus diz no evangelho de hoje que devemos ser servos dos outros. Se não fosse a palavra "sofrimento", até que não seria tão difícil cumprir este mandato do Senhor.
     Jesus é muito claro: servir é sofrer, sofrer é servir. Surge então a questão: será que Jesus serviu porque gostava do sofrimento?
     Consideremos por um momento o significado da palavra "sofrimento" O dicionário Houaiss descreve a palavra sofrimento como "ação ou processo de sofrer - dor causada por ferimento ou doença; padecimento". Certamente Jesus experimentou todas essas coisas neste mesmo sentido. Neste sentido a segunda leitura diz que "temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado". (Hb 4, 15)
     Mas o sofrimento é muito mais do que o fato de sentir dor: significa também carregar, suportar, "dar à luz um filho".
     O sofrimento não é somente a habilidade de sentir dor. Não, o sofrimento é a vontade de se abster, de perseverar, de continuar fazendo o correto e o que é justo, o que é saudável e santo, mesmo quando somos confrontados com a oposição e a resistência dos outros. O sofrimento é dor associada aos esforços que fazemos para gerar vida nas vidas dos outros.
     Esse tipo de sofrimento não é a mesma coisa que uma passividade impotente. Tal sofrimento - este sofrimento divino - é ser pró-ativo. Tal sofrimento - este serviço, é uma escolha: a escolha do amor.
Jesus não amava o sofrimento. Jesus sofreu precisamente porque estava disposto a amar. Jesus sofreu - ele perseverou - no seu compromisso de ser uma fonte de amor na vida dos outros.
     Isso foi o que fez de Jesus um servo. Isto é também o que pode nos tornar verdadeiros servos. Assim como Jesus, mesmo quando o nosso serviço é marcado pelo sofrimento, é muito mais importante que esteja marcado pelo amor.

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB



Indico estes links, organizados pelo noviço salesiano Felipe Xavier:

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Reflexão Salesiana para o 28º Domingo do Tempo Comum - 14 de outubro de 2012


Nem a todos Jesus pede o abandono de tudo para segui-lo. Mas mostra a todos que o acúmulo e o enriquecimento ilícito não combinam com os valores do Reino por ele pregado. São Francisco de Sales nos ensina em seus escritos que deixar de lado tudo o que é material, significa por outro lado colocar tudo nas mãos de Deus. Um grande desafio!

   O Evangelho de hoje nos desafia a deixar tudo de lado para seguir Jesus. É Ele quem nos traz a verdadeira riqueza. A este propósito, São Francisco de Sales diz algo semelhante:
     Deixar de lado todos os nossos bens terrenos significa colocarmos tudo nas mãos de Nosso Senhor. Em seguida, pedir que Ele nos conceda o dom de sermos capazes de amá-lo verdadeiramente da maneira que     Ele quer de nós. Vocês podem acumular riquezas desde que sejam limitadas a um lugar em suas casas, e não em seus corações. Vocês podem se concentrar em aumentar suas riquezas e recursos, desde que o façam de uma forma que não seja somente justa, mas também honrada e caridosa. Que através das riquezas possam honrar e glorificar a Deus. Nosso dever é amar a Deus acima de todas as coisas, e depois amar os outros.
     Para poder amar a Jesus, é necessário que também lhe entreguemos as nossas posses imaginárias, como a honra, o afeto, e a fama, para que possamos nos dedicar a buscar a glória de Deus em todas as coisas. Nossos bens não são nossos. Deus deu-nos para que os cultivemos e é Seu desejo que os façamos frutificar para o benefício do Reino na terra. Portanto, nosso dever é cuidar deles e utilizá-los de acordo com a Sua vontade.
     Libertar-nos de nossas posses significa afastar de nossas vidas tudo o que é supérfluo e aquilo que não provêm de Deus. Ainda assim, ninguém iria usar um machado para podar uma vinha num único golpe. A maneira correta de fazer isso é usar uma foice para cortar cuidadosamente os sarmentos um por um. Em nosso caso procedemos da mesma maneira: devemos avançar passo a passo. Não podemos pretender chegar onde queremos num único dia.
     Empreender a busca do cumprimento da vontade de Deus em nossas vidas implica num trabalho enorme, mas será pequeno quando comparado com a magnitude da recompensa que receberemos. Uma pessoa generosa pode conseguir tudo com a ajuda do Criador. Fiquem atentos todos os momentos, para colocar a essência de seus corações nas mãos de nosso Salvador. Então verão que a medida que o divino amante vai tomando lugar em seus corações, o mundo e todas as buscas inúteis irão ficando de lado e vocês poderão viver cheios de alegria e na completa e perfeita liberdade do espírito como filhos de Deus.

(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales)

Destaque: "Como é difícil entrar no Reino de Deus"

Perspectiva Salesiana

     Nos últimos minutos do filme "Campo dos Sonhos" o personagem Terrence Mann recebe um convite do fantasma de Shoeless Joe Jackson para "sair" com a equipe. É então que o personagem de Ray Concella se enfurece. Por que o fantasma convidou o escritor em vez de Ray? Ray fala um rosário de todas as coisas que ele fez, seguindo as instruções da "voz" e conclui: "Nem uma só vez perguntei o que eu faço com isso?"  Então o fantasma pergunta: "O que é que você está tentando dizer Ray?"  Ray responde: "O que eu quero dizer é, como isso me beneficia?".
     Que honesto. Que Revelador.Que humano.
     Hoje ouvimos ecos desta mesma resposta nas palavras de São Pedro no Evangelho, quando ele diz: "Nós deixamos tudo de lado para seguir-te"  Implicitamente está querendo dizer: que benefício receberemos de tudo isso?
     A verdade é que as Boas Novas nunca abrandam. Mesmo quando vamos amadurecendo em nosso amor por Deus, por nós e pelos outros, as Boas Novas sempre nos chamam para dar mais, para aprofundar, para avançar. A verdade é que, muitas vezes, as Boas Novas não nos fazem sentir muito bem.
     Não é de se surpreender que algumas vezes perguntamos:  'Que queres a mais?" - "Por que eu deveria fazer isso?" - "Como posso beneficiar-me fazendo isso?"
     O benefício para nós encerra uma dupla promessa. Em primeiro lugar chegamos a experimentar a alegria que implica o fato de nos preocuparmos por dar em vez de receber. Podemos também experimentar a liberdade que se sente quando permitimos que Deus penetre tudo o que somos e não apenas uma parte. Em resumo, podemos experimentar esta riqueza que somente é conhecido por aqueles que são generosos.
Em segundo lugar, vivemos cada dia com a crença de que algum dia chegaremos a desfrutar da generosidade de Deus para sempre numa vida que nunca terminará.
     Então como nos beneficia tudo isto? Bem, que benefício maior existe do que dar sentido e direção nesta vida? Ou, que tal, o fato de podermos desfrutar a plenitude destes - e de muitos outros presentes - na vida que está por vir?
     Estas sim que são boas notícias!

Texto: P.Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Reflexão Salesiana para o 27º Domingo do Tempo Comum - 7 de outubro de 2012


Destaque: "Não é bom que o homem esteja só"

Perspectiva Salesiana

     As leituras de hoje lembram que devemos ter um profundo respeito pelos outros. Falam da reverência que devemos sentir por cada ser humano. As leituras de hoje falam da preocupação e cuidado que devemos ter para com toda a criação. Os seres humanos foram criados para viver em harmonia uns com os outros. O projeto inicial de Deus é o homem e a mulher vivendo o amor e o benquerer.
    Mais importante ainda é que as leituras falam de uma verdade muito mais profunda: Nós, como Deus, cuja imagem e semelhança fomos criados, não fomos feitos para vivermos sozinhos.
Francisco de Sales escreveu: "Ninguém pode ignorar que a vontade de Deus é que nos salvemos tantas e tão diferentes são as maneiras pelas quais no-lo manifestou. Neste intuito e através da criação, Deus nos fez à sua imagem e semelhança. Através da encarnação, Deus tornou-se nossa imagem e semelhança... a sua bondade leva-O a comunicar-nos com liberalidade os socorros da sua graça, para podermos alcançar a felicidade da sua glória." (Tratado do Amor de Deus, Livro VIII, Capítulo 4)
     Da mesma maneira como Deus se comunica conosco, fomos criados para viver em comunhão entre nós.
     Em suas palestras Francisco explica como nos relacionarmos uns com os outros, sendo nós mesmos. "O vínculo doce e amoroso do amor santo se tornará mais forte e mais estreito à medida que avançamos no caminho da nossa própria perfeição. À medida que nos tornamos mais e mais capazes de nos unirmos a Deus, mais estreita se torna nossa união com os outros...  em comunhão com o que que fazemos, a nossa união se tornará mais perfeita porque para unirmo-nos com Nosso Senhor devemos permanecer sempre muito unidos entre nós. É por isso que a santa recepção deste pão celestial e deste divino sacramento é chamado de Comunhão: que significa união comum." (VI Conferência, sobre a esperança )
     Basicamente o que Francisco de Sales nos diz é que nós nascemos para amar. Somos feitos para nos relacionarmos com os outros. Muito do que somos, muito do que podemos chegar a ser, só será realidade através das relações que construímos e que cultivamos com os outros.
     Além disso, devemos ser fiéis a nós mesmos. Devemos crescer no conhecimento de quem somos e nos aceitarmos como somos. Devemos acolher nossos pontos fortes e fracos. Devemos considerar quais são as coisas que podemos fazer por nossa conta. Temos também que aceitar as coisas que não podemos fazer sozinhos. Mas nada disso poderemos conseguir se nos isolamos: a plenitude daquilo que Deus nos chamou a ser se encontra precisamente nos nossos relacionamentos com os outros.
     Não só não é bom para o homem ficar sozinho, mas só podemos ser verdadeiramente humanos quando vivermos em comunhão com Deus ... e com os outros.

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Perspectivas Salesianas 9 - O poder das palavras...


O poder das palavras...

     "Não é só o que você diz, é o modo como diz." Não é verdade!
As palavras são poderosas. As palavras podem curar e levantar. As palavras podem ferir e destruir. A diferença está no modo como as usamos.
     A Espiritualidade Salesiana faz entender claramente que as palavras podem produzir comunhão (comunicação) ou afastamento. Então, aqui estão alguns conselhos práticos.
São Francisco de Sales nos desafia: "Deixe que sua linguagem seja suave, aberta, sincera, franca, direta e honesta."
     Nunca dê motivos para os outros pensarem que falas mal deles.
     Honestidade, Integridade, Justiça e Imparcialidade deve ser a marca das suas palavras. Mas honestidade não é o mesmo que brutalidade. "Nem sempre é possível dizer tudo o que é certo", observa São Francisco de Sales. Mas "nunca é apropriado dizer algo contra da Verdade."
     A Verdade te dá liberdade.
   Aberto. Ao falar para os outros em um lugar público, esforça-te para ser o mais próximo possível. Quando for necessária a conversa confidencial, fale num lugar reservado. "Nunca dar aos outros motivos para pensarem que se fala mal deles, nos adverte o santo cavalheiresco. Por outro lado, Sales diz: "O mentir, dissimular e concordar duplamente sempre são sinais de fraqueza e de interromper o que se estava falando mal."
   Suave. "Se for necessário contradizer alguém ou opor-se ao ponto de vista do outro, deve-se fazer de tal maneira a não inflamar o temperamento dele", diz São Francisco de Sales. "Com dureza nunca se consegue nada." Ou ainda: "A correção é amarga, naturalmente, mas quando combinada com a doçura da bondade e aquecida com o fogo da caridade,torna-se mais aceitável, amigável, até cordial".
Quando você pratica esta doçura é tão importante quanto "quando você tem necessidade de corrigir alguém. Neste caso é melhor você adiá-la um pouco e fazer a correção em particular e com doçura", diz Santa Joana Francisca de Chantal.  Além disso, "faça sem queixar-se." Seja num conflito ou numa correção, faça-o de forma breve e com doçura.
   Simples. Diga o que você pensa e pense o que você diz. Santa Joana Francisca de Chantal escreve: "Não permita que nada em sua maneira de falar ou de escrever denote um golpe de afeto. Na verdade, eu preferiria vê-lo tranquilo antes que afetado."
Quanto mais simples melhor.
     Sincero. Diga o que precisa ser dito da maneira mais genuína possível. São Francisco de Sales diz: "A fidelidade, a simplicidade e a sinceridade de palavra são, sem dúvida, um grande adorno da vida cristã." Para Santa Joana Francisca de Chantal, você deveria lutar pela "inocência, franqueza e simplicidade, qualidades que o tornam um ser calmo e amigável com todo o mundo."
     Mantenha as coisas simples e fáceis. "A Sabedoria consiste em saber quando e como falar, quando e onde ficar em silêncio."
     Desta forma, você volta novamente a ser uma feliz, saudável e santa pessoa comunicativa. Especialmente reze pelo dom da sabedoria. Sabedoria? Certo!
     Francisco de Sales escreve: A Sabedoria é saber quando e como falar, e quando e como se manter em silêncio. Amém para isso!
     Lembre-se que as palavras não são nunca neutras. Elas fortalecem ou diminuem nossa comunicação com os outros.
     Tudo depende de você. Escolha suas palavras... sabiamente.

Para reflexão:

1. De que você mais gosta de falar: da felicidade, da saúde ou da santidade?
2. E o que você mais odeia?
3. Que dimensão desenvolve melhor?
4. O que você acha que precisa desenvolver mais?
5. Há alguma coisa que você gostaria de acrescentar? Por que ou por que não?
6. Numa escala de um a 10, como você classificaria sua capacidade de comunicar neste momento de sua vida?

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Reflexão Salesiana para o 26º Domingo do Tempo Comum - 30 de setembro de 2012


As leituras do Dia da Bíblia refletem sobre temas atuais. Acabamos de ver, nesta semana passada, as violências provocadas pelo fanatismo e pelo deboche... Na "pressa de querermos fazer o bem", cometemos violências e muitas vezes matamos ou torturamos "em nome de Deus" aqueles que "não são do nosso grupo", ou "não nos seguem". Devemos deixar o Espírito de Deus agir e nos dedicarmos ao amor sagrado!


     Destaque: "O apressado ofende a Deus."

Perspectiva Salesiana

     "O apressado ofende a Deus!", diz São Francisco de Sales. "Os juízos dos filhos dos homens são temerárias porque não são juízes uns dos outros, e, julgando, se arrogam o direito e o ofício de  Nosso Senhor ... se uma ação tem aspectos diferentes, devemos tentar focar no melhor deles." ( Introdução à Vida Devota , parte III, capítulo 28)
     Estas palavras ditas por Sales poderiam servir de conselho a João, o discípulo do Evangelho de hoje. Este diz a Jesus que ele e os outros apóstolos proibiram um homem de expulsar demônios das pessoas porque "ele não nos segue". Na verdade, essas palavras são muito semelhantes a aquelas que Jesus diz a João: "Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor". João não é o único que pode se beneficiar com este conselho. Muitos de nós também podemos nos beneficiar.
     As palavras de Jesus e de São Francisco de Sales lembram-nos que todos os envolvidos no trabalho de Jesus pertencem a Ele, sejam do "nosso grupo"- membros da nossa Igreja Católica Romana - ou não. Eles nos lembram que deveríamos focar menos as denominações e mais as ações, o espírito e as atitudes dos seguidores de Cristo - sem que isso diminua de modo nenhum nossa fé na Igreja Católica Romana como a mãe de todas as religiões cristãs. Acima de tudo, eles nos lembram que, se houver qualquer traço de preconceito ou arrogância em nossos corações, contra membros de outras religiões cristãs, temos que nos livrar deles imediatamente. A verdade triste da história é que, através dos séculos, os cristãos passaram muito tempo construindo muros e muito pouco tempo construindo estradas para Deus. Agora é hora de derrubar os muros e construir pontes. É hora de acolher com amor os nossos aliados na fé cristã, onde quer que nos encontremos.
     Deus precisa de ti e de mim, e de todos os cristãos em todos os lugares - para que sejamos Seus profetas. No sentido tipicamente bíblico, os profetas surgiram num momento em que a sociedade parou de escutar Deus. Os Profetas bíblicos falam "de Deus." Não dizem aos outros o que vai acontecer, dizem o que deve acontecer. Dizem aos outros o que Deus quer e aquilo que Deus diz. Deus precisa de ti e de mim para que nos levantemos e sejamos incluídos nos valores do Evangelho. Deus precisa de ti e de mim para dizer aos outros que Deus quer a paz, não a guerra, a vida, não a morte, o amor, não o ódio, a preocupação com os outros, não a preocupação consigo mesmo; a liberdade, não a restrição; a verdade, não ser politicamente correto, a justiça para todos, sem discriminação.
     Nas palavras de São Francisco de Sales, ele precisa que nós "falemos de Deus em conversas familiares com nossos... amigos e vizinhos." (Introdução à Vida Devota , Parte III, Capítulo 26) E"se o mundo nos vê como tolos" porque nos comportamos como profetas, "pensemos que o mundo está louco." ( Ibid , Parte IV 4, capítulo 1)

P Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.


     As leituras de hoje convidam a nos comprometermos e a nos dedicarmos inteiramente a Deus. São Francisco de Sales diz que podemos conseguir isso através do cultivo do amor sagrado.
Muitas pessoas pensam que o amor a muitas coisas, como se fossem nossas, traz felicidade total. Este tipo de afeto surge de vez em quando dentro de nós. Porém devemos aprender a distinguir entre as inclinações e os apegos. Se os nossos sentimentos vêm de nossas inclinações não devemos nos preocupar. Por exemplo, pode acontecer que num dia você chegue a sentir muita raiva de alguém que o caluniou. Porém, se te entregares a Deus e realizares um ato de caridade para com a pessoa que ocasionou tanta indignação em ti, não terá agido de forma ruim, pois o controle dos teus sentimentos naturais não é algo que está em teu poder, principalmente quando tens que enfrentar um leão.
     Entretanto, quando se trata de lidar com nossos apegos a história é muito diferente. É a nossa arrogância que faz com que nos apeguemos exageradamente a certas coisas. Mesmo quando chegamos a dominar nosso egocentrismo um tanto exagerado, este jamais deixará de existir dentro de nós enquanto vivermos na terra. Mas se queremos acalmar esses sentimentos que nos levam a fazer coisas que mais tarde nos arrependemos, é essencial que cultivemos o amor sagrado em nós. Para fazer isso, devemos descartar todo o amor egoísta e exagerado da nossa vida, e nos entregarmos exclusivamente a este amor que busca somente a glória de Deus em todas as coisas. O amor sagrado começa a crescer dentro de nós quando começamos a pôr de lado tudo o que não nos serve para alcançar a bondade de Deus. "Abandonar" (a santa indiferença) é uma virtude tão difícil de adquirir que, mesmo num mosteiro leva-se uma década para aprender a cultivar. No entanto, esta virtude não é tão terrível quanto parece, porque nos dá a liberdade de espírito necessária para amar o mundo ao redor de nós, assim como Deus ama. Que esta seja a razão que nos guie, em vez de nossas tendências ou a nossos desgostos pelas virtudes que nos dão tanto trabalho. Embora nossos apegos são coisas preciosas, o nosso dever é usá-los para amar a Deus, a nossa única posse verdadeira, a quem dedicamos e entregamos nossas vidas.

(Adaptado de Conferências Espirituais de São Francisco de Sales por Carneiro)


Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Reflexão Salesiana para o 25º Domingo do Tempo Comum - 23 de setembro de 2012



O Evangelho de hoje nos desafia a servir a Deus com a simplicidade de uma criança. A humildade de coração é algo que deixa marca num filho amoroso, e é também uma das "pequenas virtudes". São Francisco de Sales diz que devemos praticar estas pequenas virtudes no dia a dia, pois nos ajudam no crescimento espiritual.
Uma criança pequena deseja apenas que sua mãe a alimente. Assim o nosso coração demonstra simplicidade quando seu único desejo é amar a Deus. Quando fazemos isso permitimos que seja Nosso Senhor quem nos leva no caminho e continuamos a avançar de acordo com a vontade de Deus, e não nos baseando em nossas preferências individuais. Quando uma pessoa é verdadeiramente humilde, ele ou ela encontram tempo para estar com o Senhor. Ele ou ela são como crianças cujo único desejo é descansar nos braços de sua mãe, porque é o lugar onde se sentem protegidos e amados.
A simplicidade requer que o nosso "eu" interior coincida com o nosso "eu" exterior. Isso não significa que somos menos simples nos momentos em que sorrimos apesar de nos sentirmos mal. É verdade que quando enfrentamos dificuldades, tudo fica abalado dentro de nós. Isso é natural, já que a nossa miséria tende a adotar recursos de ação extremos. Mas quando reconhecemos que o sentimento tomou conta de nós, isso não significa necessariamente que temos de aceitá-lo. Portanto, quando estamos preocupados com alguma coisa e sorrimos, estamos mostrando que somos capazes de lidar com as dificuldades de uma maneira boa, saudável e simples, que pode nos ajudar a prosperar como filhos de Deus.
Se você andar com humildade, também andará com segurança. Se você está com alguém que muda constantemente de humor, não se preocupe com o que fazer. Basta mostrar-se alegre como sempre. Neste momento esta pessoa está triste, mas haverá momentos em que você se sentirá assim. Ajude esta pessoa, e ajudem-se entre si mesmos, para aproveitar o tempo que tem de partilhar juntos. Em outro momento será aquela pessoa que irá ajudar você a se sentir melhor. Assim, você será criança para os outros servindo a Deus. Quanto mais nos livrarmos de tudo o que nos impede de amar a Deus e aos outros, mais nos aproximamos de Seu amor. Quem é simples deixa tudo nas mãos de Deus. Bem-aventurados os que não viajam por seus próprios meios, ou seja, seguindo os seus próprios pensamentos, desejos, preferências e inclinações, mas de acordo com a vontade de Deus! Porque na simplicidade de seus corações encontrarão o Seu amor e a Sua paz.

(Adaptado dos escritos de São Francisco de Sales)

Destaque: "Os discípulos, porém, não compreendiam essas palavras e tinham medo de perguntar"

Perspectiva Salesiana

Os primeiros discípulos, com toda a certeza, aderiram a Jesus como o Messias e perceberam que ele tinha uma missão muito além daquela que eles esperavam. O Evangelho de hoje nos mostra, de modo muito real, que eles eram incapazes de aceitar que Jesus falasse sobre sua morte e ressurreição e sobre o sofrimento que iria passar neste caminho. Esta previsão encheu os discípulos de medo e confusão.  Isso aconteceu porque eles estavam apegados as suas expectativas, esperanças e sonhos.
No novo reino que Jesus anunciava queriam ocupar altos cargos e exercer funções de destaque. A discussão entre eles surgiu por causa da inveja e das rivalidades que existiam no meio deles. Isso é o que diz São Paulo na segunda leitura deste domingo. Jesus mostrou claramente a importância de seus papéis e como seriam implementados, de um modo muito diferente daquilo que eles estavam aspirando. Jesus colocou uma criança no meio deles como modelo do seu novo reino, modelo de simplicidade e de humildade. Com este gesto quis dizer que ele os tinha chamado para isso, e não para as honrarias, invejas ou rivalidades.
São Francisco de Sales fala da dificuldade natural que temos para cumprir a vontade de Deus. Muitas vezes nos encontramos na mesma situação dos apóstolos da história do Evangelho de hoje. Nossas expectativas e desejos não estão de acordo com a vontade de Deus. No Tratado do Amor de Deus, Livro 9, capítulo 2, Francisco diz: "Um coração verdadeiramente vivente ama o beneplácito de Deus, não só no tempo de consolo, mas também  durante as aflições. Porém os ama mais que tudo na cruz, dor e trabalho, porque o principal poder do amor é habilitar o amante para que sofra por aquilo que ama."
Devemos nos perguntar hoje se nossas expectativas, esperanças e sonhos não nos impedem de fazer a vontade de Deus. Por acaso os tempos difíceis que enfrentamos arruínam nossas tentativas de realizar a vontade de Deus?  Será que muitas vezes não desejamos que a Vontade de Deus seja conforme os nossos desejos e vontades? Nós realmente apreciamos o dom que é Jesus?
Uma reflexão a estas perguntas nos dará a oportunidade necessária para cumprir a vontade de Deus. Esta é realmente uma exigência na nossa caminhada de fé. Na Introdução à Vida Devota, Livro 2, Capítulo 1, São Francisco de Sales escreveu: "A oração coloca nossa inteligência no amor divino. É a melhor maneira de limpar nossas mentes de sua ignorância e nossa vontade de seus afetos malignos .... Sugiro, acima de tudo, Filoteia, uma oração mental da mente e do coração, especialmente aquela que está focada na Vida e Paixão de Nosso Senhor. Contemplando-o ficarás cheia Dele, irás aprender a te contentar em agir como Ele e conformarás tuas ações as Dele"

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB