terça-feira, 18 de junho de 2013

Perspectivas Salesianas 14 - A Divina Providência... e o cuidado do Pai


"Não pense no amanhã, porque o mesmo Pai que se preocupa hoje por você, cuidará de você amanhã e sempre".
Assim São Francisco de Sales usa essas palavras normalmente tranquilizantes para nos exortar a confiar na Divina Providência no momento preciso em que nossa vida se encontra diretamente afetada pelo presente.
Santa Joana de Chantal observa: "Eis aqui a nossa excelência: ver a vontade de Deus em todas as coisas e cumpri-la". A Espiritualidade Salesiana nos desafia a ver, gostar e ouvir esta Divina Providência exatamente onde estamos.
Os livros de oração mais recentes concentraram-se em "ouvir" a Deus, mas para muitos de nós é difícil "ouvir" a mensagem. Isto se deve porque a origem da "resposta" pode estar nas palavras de um amigo ou colega.
Consideremos mais diretamente um dos meios no qual São Francisco de Sales faz chegar aos lares a mensagem da presença real de amor Deus em seu perpétuo cuidado perpétua por cada um de nós.
Uma maneira de fazer isso pode ser reconhecendo a oportunidade que nos apresentam outros a descobrir a sua mensagem. "Viva inteiramente para Deus e ao participar de conversas e reuniões sociais, tente ser útil aos outros." É precisamente nestas "Reuniões" que momentos de cuidado, confiança e compaixão podem elevar a outro plano as experiências ordinárias.
Em segundo lugar, reconheça o amor do Pai em eventos comuns. "Então, se você atender e gerenciar   os bens deste mundo com uma mão, com a outra você deve segurar sempre e com firmeza na mão de Deus." Quando cooperamos com a vontade de Deus, nossas vidas tornam-se mais e não menos livres.
Em terceiro lugar confie no cuidado de Deus: "Esteja em paz, porque você é filho de Deus e deixe que seu inquieto e desanimado coração descanse no sagrado e amoroso peito do Salvador, que, por sua doçura e nobreza, é como uma mãe." Este amoroso pai/mãe é a melhor descrição do amor incondicional tão vital para uma personalidade saudável.
Em quarto lugar, mantenha-se centrado. "Não deixe a ansiedade controlar o seu coração. Você passou por uma série de provas pela graça de Deus; a mesma  graça estará ali em todos os momentos   que surgirem." A maioria dos terapeutas se serve apenas deste conselho para ajudar os clientes a resolver  seus  problemas usando as habilidades da sua própria experiência. Quanto mais nos concede a Providência Divina para recorrer "caminhos abruptos"!
Santa Joana de Chantal nos oferece uma bela imagem para abrir-nos à Providência Divina: "Deveríamos manter-nos nas mãos bondosas deste grande Deus assim como colocamos o tecido nas mãos do alfaiate, que corta em cem pedaços diferentes para usá-lo como  ele quer e desenha. Assim também nós devemos nos deixar cortar, martelar e cinzelar pela poderosa mão de Deus, exatamente como deseja a Divina Providência, e desta forma converter-nos na pedra precisa que adorne a cada de Deus, que é vida e amor". Se esquecermos destas coisas, Francisco nos adverte em suas cartas, lembrando esta máxima: "Deus é nosso Pai, porque se assim não fosse, Jesus não teria mandado rezar o Pai Nosso... Por que vocês temem sabendo que são filhos de um Pai cuja providência não deixar cair um fio de cabelo de suas cabeças"?

Para refletir:

1. Estou consciente da presença de Deus neste momento da minha vida?
2. Como se manifesta o amor de Deus na minha família, com os amigos e na comunidade?
3. Reconheço que uma resposta "pacífica" às mudanças na vida leva a um maior crescimento?
4. Ouço a voz de Deus nas palavras dos meus amigos?
5. Qual é a minha relação com as palavras  do "Pai Nosso"?
6. Esta oração me ajuda a reconhecer a necessidade que eu tenho de alimentos, perdão e proteção contra o mal?

Pensamentos de São Francisco de Sales


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Reflexão Salesiana para o XI domingo do Tempo Comum - 16 de junho de 2013


Destaque: "Os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor".


Perspectiva Salesiana

Na vida sempre temos "momentos de aprendizado". E sabemos que são muito importantes ainda mais nos dias de hoje, quando devemos reaprender todos os dias. O Evangelho de hoje nos dá um exemplo muito forte de um destes momentos, ligados ao perdão e ao amor. "Certo" fariseu desfrutava de sua experiência no que diz respeito à lei e os profetas, mas não entendia nada de misericórdia, perdão, generosidade. Porém, uma "mulher conhecida na aldeia como pecadora", parece que teve maior compreensão da misericórdia e da generosidade de Deus, encarnada na pessoa de Jesus.
Embora o fariseu, sem dúvida, possuísse grande conhecimento, é a "mulher conhecida na aldeia como uma pecadora", quem mostra um grande amor, apesar de seus pecados e fraquezas.
Vale a pena considerar aqui a opinião de Francisco de Sales, no que diz respeito à relação entre amor, arrependimento e perdão.
"Teótimo, no meio das aflições e amarguras de um vivo arrependimento, Deus põe muitas vezes no fundo do nosso coração o fogo sagrado do seu amor. Depois este amor converte-se na água de copiosas lágrimas, as quais, por uma segunda transformação, são convertidas num maior fogo de amor. Foi assim que a célebre amante arrependida amou primeiramente o seu Salvador. Este amor converteu-se em lágrimas, e estas lágrimas num perfeito amor, pelo que Nosso Senhor disse que muitos pecados lhe eram perdoados, porque tinha amado muito.  Por esta razão, a penitência perfeita tem dois efeitos diversos: em virtude da dor e da aversão, separa-nos do pecado e da criatura a quem o prazer nos havia ligado, mas em virtude por motivo do amor donde procede, reconcilia-nos e reúne-nos ao nosso Deus do qual estávamos separados pelo pecado na sua qualidade de arrependimento, nos liga a Deus na qualidade de amor". (Tratado do Amor de Deus, Livro II, capítulo 20)
É interessante o que Francisco de Sales diz após esta mesma relação entre o arrependimento, amor e perdão tendo presente a segunda leitura de hoje, a carta de Paulo aos Gálatas: "Este arrependimento amoroso pratica-se ordinariamente por impulsos ou elevações do coração para Deus... Por isso, não é sem razão que algumas pessoas dizem que a oração justificava, porque a oração contrita, ou a contrição suplicante, elevando a alma a Deus e unindo-a à sua bondade, obtém sem dúvida o perdão, em virtude do santo amor que lhe dá o movimento sagrado". (Ibid)
É irônico que o grande pecador - ou, ao menos, aquele que reconhece a realidade de seus pecados, seja mais qualificado para espalhar o amor e para receber o amor - e o perdão de seu Salvador! O que podemos aprender com os seus pecados... com o seu arrependimento ... com a sua hospitalidade... com o seu amor... e até mesmo do grande amor do seu Salvador? 
Como podemos colocar isso em prática nas nossas relações com os outros?

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales. 
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB



Nos dias 10, 11 e 12 de junho estive em Curitiba, transmitindo a Espiritualidade Salesiana e a vida e obra de São Francisco de Sales para os noviços salesianos e para as lideranças da Paróquia Menino Jesus de Praga. Foram dias proveitosos de convivência e de novas aprendizagens. 


sábado, 8 de junho de 2013

Reflexão Salesiana para o décimo Domingo do Tempo Comum - 9 de Junho de 2013


Destaque: "Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela"

Perspectiva Salesiana

O coração de Jesus é, entre outras coisas, todo compaixão. Como vimos repetidas vezes em cada um dos quatro Evangelhos, o coração de Jesus sempre se comove com as necessidades dos outros e procura atendê-las.
No Evangelho de hoje ouvimos como Jesus se comoveu pela dor da viúva, cujo filho tinha morrido. A compaixão que ele sentiu por ela o levou a aproximar-se do corpo, a pôr a mão sobre ele, e a ordenar que o jovem se levantasse. Quando o jovem retornou à vida, Jesus o entregou a sua mãe. A compaixão de Nosso Senhor não só criou vida, mas também produziu alegria e regozijo ao restabelecer a relação entre uma mãe e seu filho. 
Outra passagem da bíblia lida no dia de hoje fala do mesmo poder da ação de Deus através do profeta Elias. Um jovem foi trazido de volta à vida e à sua mãe, que era viúva. A ação de Elias ao ressuscitar o filho da mulher, tinha como intenção corrigir a noção de que Deus é muito vingativo, que desejava a morte como um castigo pelo pecado. De fato, a maravilhosa obra de Elias enfatizou o amor e a compaixão que Deus tem por todos aqueles a quem Ele quer salvar e reviver. 
Se olharmos para trás no fluxo da história sagrada perceberemos que milagres como a ressurreição dos mortos são um prenúncio do mistério da morte e ressurreição de Jesus. Ele morreu para expiar nossos pecados e ressuscitou para compartilhar a vida com a gente, para que possamos ter participação em Sua vida.
Jesus fala-nos do mesmo modo que falou com o jovem que tinha morrido: "homens e mulheres jovens, homens e mulheres, velhos, crianças, levantem-se!" 
E nós? Deus não nos convidou, desafiou-nos e nos mandou mostrar o seu poder, a Sua bondade amorosa e generosa em nossas relações com os outros? Jesus se comoveu pelas necessidades dos outros e mostrou a força do seu poder de perdoar, curar, alimentar, e até de ressuscitar.
Poderíamos dizer o mesmo de cada um de nós? 

P.Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales. 
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Dos escritos de São Francisco de Sales

A leitura do Evangelho de hoje narra uma das três ocasiões em que Jesus ressuscitou alguém dos mortos. No entanto, a ressurreição do filho da viúva é específica do Evangelho de Lucas. Os três Evangelhos sinópticos registram a ressurreição da filha de Jairo, e só João narra o sucesso da ressurreição de Lázaro. Mas como Lucas é o único que conta a história de Naim, devemos estar conscientes das questões presentes nesta narrativa, e a ênfase dada por ele. Por exemplo, o fato de que a história centra-se em uma mulher, também viúva, reflete uma tendência de Lucas para revelar a preocupação que Jesus teve com as pessoas mais desfavorecidos da sociedade. Da mesma forma, todo o evento foi apresentado de uma forma que nos faz lembrar de uma ação similar realizada pelo profeta Elias, narrada na primeira leitura de hoje. Ao apresentar Jesus sob o mesmo ponto de vista que o profeta do século IX, que até então havia se tornado uma figura escatológica ligado ao advento do Messias, Lucas destaca as ações de Jesus como atos de significado escatológico e messiânicos.
Diferentemente da maioria dos milagres realizados por Jesus durante toda a sua vida, é importante que a fé não foi mencionada como o motivo que o levou a agir neste caso. Na verdade, a história parece sugerir que Jesus ressuscitou o homem movido unicamente por compaixão. A compaixão é uma força positiva muito poderosa. São Francisco em sua Introdução à Vida Devota escreveu sobre isso: 
"Um dos melhores exercícios que podemos fazer como parte de nossa prática da obediência é nunca deixar que nossas imperfeições nos oprimam. Embora a razão nos obrigue a sentir desgosto e vergonha quando cometemos uma falha, não podemos permitir que o desgosto seja marcado pela amargura, paixão ou ressentimento. Há muitas pessoas que se sentem culpados por isso. Que depois de deixar-se levar pela raiva, ódio, se enfurecem ainda mais ao perceberem que perderam seu temperamento, se preocupam pelo fato de terem-se preocupado, ficam indignados por terem sentido raiva, e nesse ciclo mantêm seus corações imersos e encharcados nas paixões. Alguém poderia pensar que uma segunda onda de raiva poderia cancelar a primeira, mas, na realidade, tudo o que faz é reacender a ira nas pessoas pelo ocorrido inicialmente. Assim como o pai que faz uma repreensão com brandura e afeto tem um efeito muito maior sobre os seus filhos, aquele que os reprime estando cheio de raiva, quando comete uma falta - se repreender o coração com calma e carinho, se mostrar compaixão para com ele, em vez de raiva contra ele, se encorajar a alterar o seu arrependimento pelo erro estará desenvolvendo através deste método algo muito mais profundo e mais eficaz”... (Tema Salesianos seleccionados , p. 5 . # 0012)
A compaixão despertou em Jesus o poder para ressuscitar alguém. Imaginem como essa mesma compaixão poderá contribuir para superar as nossas imperfeições e os nossos esforços para crescer na prática da devoção! 
(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales) 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Reflexão Salesiana para o dia de Corpus Christi - 30 de maio de 2013

Hoje celebramos a presença real de Cristo na Eucaristia. Eis algumas das reflexões que São Francisco de Sales fez em relação a este Sacramento. 
Após a ressurreição, Jesus entrou na sala onde estavam reunidos os apóstolos, mesmo com as portas trancadas. Ele queria garantir-lhes que ainda estava vivo e que permanecia entre eles. Desta mesma maneira Jesus nos dá Seu corpo e sangue, transformado em pão e vinho, para nos convencer de que sua presença entre nós é real. 
O ponto alto do amor de Deus por nós, um amor que se baseia na autoentrega, manifesta-se na Eucaristia. Cristo instituiu o sacramento da Eucaristia para que toda a família humana pudesse estar intimamente ligada a Ele. Uma vez unidos em Cristo, este sacramento também nos chama, e nos ajuda a unirmo-nos uns aos outros através de um tipo de conexão espiritual que Nosso Salvador quer que exista entre nós. Esta união reúne muitos e diferentes membros, e os molda num só corpo. É por isso que este sacramento é também chamado de Comunhão, pois representa para nós a comum união do amor sagrado que deve existir entre nós. 
Na Eucaristia, a festa permanente da graça divina, nos foi dada uma promessa de felicidade infinita. Quando recebemos a Eucaristia com frequência e com devoção, estamos fortalecendo a nossa saúde espiritual, a fim de evitar o mal de forma efetiva. Isso fortalece o nosso coração e nos faz como deuses neste mundo. As frutas mais delicadas, como os morangos, estão sujeitos à decomposição. Mas elas podem ser facilmente armazenadas por um ano se colocadas entre o mel ou o açúcar. Assim também ocorre, embora de modo mais grandioso, quando recebemos a Eucaristia, já que ela conserva nossos corações fracos e os protege do mal. 
Tanto aqueles que se consideram perfeitos, como aqueles que se consideram imperfeitos, devem receber a Eucaristia com frequência. Os perfeitos porque possuem uma predisposição para ela. Os imperfeitos para que possam alcançar a perfeição. Nosso Senhor nos ama a todos com o mesmo amor. Ele nos acolhe em seus braços através deste sacramento. Devemos fortalecer esses laços suaves e revigorantes do amor divino através da Eucaristia.

(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales) 
Tradução: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Reflexão Salesiana para o domingo da SSma TRINDADE - 26 de maio de 2013


Destaque: proclama a sabedoria de Deus: "eu estava ao seu lado como mestre de obras; eu era seu encanto, dia após dia, brincando todo o tempo em sua presença..." (Pr 8, 30) 


Perspectiva Salesiana

Deus se revela a nós como Pai criador e amoroso, um Filho que nos alimenta e nos redime, e um espírito que nos desafia e nos inspira. Nós fomos criados a imagem e semelhança da Trindade. Somos chamados a viver uns com os outros nesta terra como imagem e semelhança da Trindade. Estamos destinados para a glória do céu que é a imagem e semelhança da Trindade.
A Trindade fala de realização criativa. A Trindade fala da abundância de cura. A Trindade nos fala da generosidade que inspira.
O Espírito Santo, a Sabedoria de Deus, é a fonte dos dons que precisamos para experimentar e personificar a esse Deus Trino em nossas vidas diárias. São Francisco de Sales escreveu em seu Tratado do Amor de Deus. "Precisamos de temperança para aplacar inclinações rebeldes de sensualidade;  justiça , para fazer o que é certo em relação a Deus, com os nossos vizinhos e conosco mesmos;  fortaleza, para que permaneçamos fiéis ao nosso compromisso de fazer o que é certo e para evitar fazer o que é errado;  prudência , para descobrir as formas mais adequadas para que possamos olhar o bem e praticar a virtude;  conhecimento , para que possamos conhecer qual o verdadeiro bem que devemos aspirar e qual o verdadeiro mal que devemos rejeitar; entendimento, para penetrar nos primeiros e os mais importantes fundamentos ou princípios de beleza e excelência da virtude; finalmente, a sabedoria, para contemplar a natureza divina, a fonte primária de tudo o que é bom." (Tratado do Amor de Deus , Livro 11, capítulo 15)?
Soa familiar? Deveria: conhecemos isso como os "sete dons" do Espírito Santo.
O amor que vem de Deus uno e trino, o amor que é uma parte fundamental de quem somos, contém todos esses dons. Francisco de Sales descreveu esse amor como "uma açucena esplendida, com seis pétalas, mas brancas do que a neve, e tendo no centro os pequenos e bonitos martelos dourados da sabedoria que trazem aos nossos corações o sabor amoroso da bondade do Pai, nosso Criador, a misericórdia do Filho, nosso Redentor, e a doçura do Espírito Santo, nosso Santificador." (Ibid)
Mesmo sendo tão misteriosa, o Mistério da SSma Trindade deixa claro duas coisas: (1) somos chamados a encarnar a plenitude criativa de Deus, a abundância de cura de Deus e a generosidade inspiradora de Deus, e: (2) recebemos os dons necessários para fazer deste chamado uma realidade.
O Deus uno e trino, Pai, Filho, Espírito nos ajude a refletir, de forma clara e convincente, sua imagem em nossas mentes, em nossos corações, em nossas atitudes e em nossas ações. Que Ele nos conceda a graça de sermos a alegria na vida das outras pessoas todos os dias.

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales.
Tradução e adapatação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Dos Escritos de São Francisco de Sales

Hoje é o domingo da Santíssima Trindade. São Francisco de Sales enfatiza que devemos buscar a união no amor uns com os outros, de uma forma que reflita o amor que existe entre as três Pessoas divinas.
Os atos da bondade de Deus para a família humana são atos das três pessoas. Sua bondade transborda sobre a saúde espiritual de toda a família humana que foi criada à imagem e semelhança de Deus. O Pai nos deu todos os meios necessários para que possamos glorificar a bondade divina de Deus. O Filho, que veio a este mundo, elevou a nossa natureza acima dos anjos. Ao tornar-se humano, Nosso Senhor fez-se a nossa semelhança e nos fez à Sua imagem, para que pudéssemos aproveitar o tesouro que é a vida eterna. O Espírito, que veio para animar os apóstolos que formaram a Igreja, continua dando-nos vida através do amor divino.
Ninguém pode imaginar ou entender a ligação entre as três Pessoas da Santíssima Trindade. É por isso que Jesus nos chamou, não para nos unamos de forma idêntica à da Trindade, mas para que nos unamos no amor sagrado de uma forma tão puro e perfeito o quanto possível. Porque por meio de Cristo participamos do amor divino da Trindade, que nos torna filhos de Deus.
Os filhos do mundo estão todos separados uns dos outros, porque seus corações estão em lugares diferentes. Além disso, os filhos de Deus, que tem seus corações "no lugar onde está o teu tesouro", só tem um tesouro que é o próprio Deus.  Permanecem sempre juntos e unidos pelo amor de Deus. Nosso Salvador restabeleceu a igualdade de condições e, sem exceção, nos fez à Sua semelhança. Portanto, não deveríamos sentir um amor ardente e genuíno por esta mesma semelhança nos outros? Nós não somos chamados a amar tudo o que é errado nos outros, mas somente a imagem e semelhança de Deus. Apreciemos, então, o fato de sermos filhos de Deus que buscam unir-se de forma semelhante à das três Pessoas da Santíssima Trindade, cujo amor divino e transbordante alimenta e transforma toda a família humana. 
(Adaptado a partir dos escritos de São Francisco de Sales) 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Reflexão Salesiana para o domingo de Pentecostes - 19 maio de 2013


Perspectiva Salesiana

Destaque: "Cada um de nós ouve falar em nossas próprias línguas sobre as coisas maravilhosas que Deus fez."

Independentemente do fato de que eles estavam falando a pessoas diferentes, com línguas diferentes e de diferentes culturas, os apóstolos foram compreendidos por todas as pessoas que os ouviram proclamar as maravilhas que Deus tinha feito.
Como isso foi possível? 
Inflamados pelo amor do Espírito Santo, os apóstolos podiam falar a linguagem do coração. Eles estavam falando com entusiasmo. Eles estavam falando com gratidão. Eles estavam louvando e dando graças. Eles estavam falando desde as profundezas do seu ser. Eles estavam falando de sua alma. 
Em suma, eles estavam falando a linguagem universal - a linguagem do coração.
Nós somos muito humanos - nós somos muito divinos - quando falamos a linguagem do coração, quando falamos a linguagem do amor, quando falamos e ouvimos com a alma, quando estamos fundamentados na Palavra feito Carne.
Como bem sabemos, por experiência própria, a comunicação é mais do que o encontro de olhares... ou da língua ou dos ouvidos. Comunicar-se é algo mais fácil de dizer do que fazer. Muitas vezes interpretamos mal. Muitas vezes, presumimos que sabemos o que as outras pessoas estão pensando ou sentindo. Muitas vezes usamos as mesmas palavras, embora tenham significados diferentes. Muitas vezes temos maneiras diferentes de dizer a mesma coisa. Muitas vezes ouvimos, mas muitas vezes não conseguimos ouvir. Estamos sempre falando, mas falar não é o mesmo que comunicar.... Ou falar de coração a coração.
São Francisco de Sales nos diz que o Espírito Santo vem para inflamar os corações de quem tem fé. Quando falamos e ouvimos com o coração inflamado de alegria, verdade e gratidão, o conflito encontra um caminho para a compreensão, a confusão encontra a clareza, a distância encontra o caminho para a intimidade, a dor encontra uma forma de cura, a frustração encontra o perdão, a paz encontra a violência, o pecado encontra a salvação.
Francisco de Sales nos dá o seguinte conselho: "Falem sempre de Deus como Deus, ou seja, com reverência e devoção, não com ostentação ou com afetação, mas um espírito de caridade, manso e humilde.  Deixem que o mel da devoção e das coisas divinas, que são imperceptíveis ao ouvido de uma ou de outra pessoa fluam tanto quanto possam dentro de vocês. Orem em seus corações para agradar a Deus, para que ele faça penetrar nos corações daqueles o ouvem o orvalho abençoado. É maravilhoso como uma proposta doce e amigável atrai os corações dos ouvintes."
Como nós podemos conversar, ouvir e praticar nos dias de hoje a linguagem do amor?

P. Michael S. Murray, OSFS - Diretor do Centro de Espiritualidade de Sales. 
Tradução e adaptação: P. Tarcizio Paulo Odelli - SDB

Dos escritos de São Francisco de Sales e Joana de Chantal (adaptação)


O grande amor e os cuidados de Deus novamente se manifestam na Festa de Pentecostes. O fato de que o Espírito Santo vive em nós é essencial para a espiritualidade de São Francisco de Sales. 
O amor é o que dá vida ao coração. O Espírito Santo que nos foi dado derrama o amor de Deus em nossos corações. O Espírito é como uma fonte de água viva que flui em cada parte de nossos corações e vai distribuindo Sua graça. A graça tem o poder de atrair nossos corações. Através do Espírito Santo, Deus desperta e anima os nossos corações para que tomem consciência da sua bondade. Muitas vezes precisamos que nos acorde e nos leve pela mão para que façamos uso adequado da nossa força e dos dons e talentos. 
Se quisermos sentir a presença do Espírito Santo em nós, devemos nos livrar de nossos caprichos e acomodar a nossa vontade a vontade de Deus. Devemos ser como o barro na mão do oleiro, para que Deus possa moldar-nos e levar-nos para o caminho da verdadeira saúde espiritual. Mesmo quando podemos impedir que Deus inspire nossos corações, todos nós temos o poder de rejeitar o desejo que Deus tem de amar-nos. Da mesma forma, o Espírito Santo não tem vontade de trabalhar em nós sem o nosso consentimento. Mas, se concordarmos  minimamente com a inspiração de Deus, que felicidade nós teremos! 
O único fruto do Espírito Santo, que é o amor divino nos enche de alegria interior e conforto, ao mesmo tempo em que enche os nossos corações de a paz que perdura, mesmo no meio da adversidade, pela paciência. O amor Sagrado nos torna amáveis e gentis e no momento de ajudar os outros o faremos com uma bondade sincera para com eles. Esta bondade que vem do Espírito Santo, é constante e perseverante, e nos dá uma coragem duradoura, nos torna afáveis, agradáveis e atenciosos com os outros. Isso faz com que suportemos as mudanças de seu humor e suas imperfeições. Viveremos uma vida simples que será testemunha de nossas palavras e ações. O amor divino é a virtude de todas as virtudes. Apreciemos e cultivemos o Espírito que habita em nós, para que o amor de Deus possa reinar lá também.